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Avenida dos Aliados
sábado, setembro 18, 2004
  O Passageiro Apresentará Este Bilhete

Lembrei-me de procurar nos bolsos do casaco que usava aqui. Por acaso ou não ainda trazia o bilhete de uma das viagens de eléctrico.

Afinal nem era caro, infelizmente o percurso não foi o mesmo que nos trouxe até à Praça. MBP
 

sexta-feira, setembro 17, 2004
  5 meses depois.
JRP e MBP na Praça de D. Pedro, antiga Praça Nova, no Porto, na primeira década do século XX, fotografia de Marçal Brandão.
O tempo vai passando e por aqui festejam-se os 5 meses de existência. Os nossos conflitos com o alojador netcabo e a cada vez maior falta de tempo, aceleram o balouçar no recreio e a corda vai partindo por cima do poço...
Mas o melhor do Avenida dos Aliados foi o não estarmos os dois a falar sozinhos. Ler os vossos comentários tem sido uma riqueza enorme para o nosso conhecimento da cidade e o divulgar do sentir portuense. Não se inibam, escrevam!
Lembro-me bem deste longínquo dia. Enquanto eu e o MBP falávamos sobre a malfadada crise monárquica, ali mesmo em frente ao antigo e setecentista edifício da Câmara Municipal do Porto (à esquerda na fotografia), desciam acelerados e modernos eléctricos, inovação recente na cidade, pela rectilínea Rua de D. Pedro (primeira rua à esquerda). Logo a seguir, fomos comer uns petiscos tripeiros ao Café Suíço, onde a sala de bilhar era imensa, logo ali atrás, na casa comercial com toldo claro. As tardes eram passadas por ali, entre este botequim e o outro, lá em cima, por baixo do Hotel Francfort, no Café Chaves, no cunhal das saudosas ruas do Laranjal e de D. Pedro, desaparecidas posteriormente para a abertura desta Avenida dos Aliados.
Pouco tempo depois, um amigo nosso, Mário de Sá-Carneiro, escrevia assim, prenunciando trágicos desaparecimentos:

"O Recreio

Na minha Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar -
Balouço à beira de um poço,
Bem difícil de montar...

- E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...

Se a corda se parte um dia,
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia:
Morre a criança afogada...

- Cá por mim não mudo a corda
Seria grande estopada...

Se o indez morre, deixá-lo
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...

- Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...
" - Mário de Sá-Carneiro, Paris, Outubro de 1915.

Façam-nos companhia. Venham connosco pelo Porto! JRP
 

quinta-feira, setembro 16, 2004
  Solução para o Enigma 5.
A Capela de Nossa Senhora da Saúde, na Rua do Heroísmo, no Porto.

Chegou finalmente a hora de expôr a verdade sobre o misterioso Enigma 5. Antes de mais, parabéns à leitora Ziza por o ter decifrado praticamente na totalidade.
Já afloramos com assiduidade a questão do esquecimento incompreensível a que os antigos cruzeiros do Porto foram votados desde a sua remoção das ruas da Invicta em 1869 (aqui, aqui, aqui e aqui). Diga-se, aliás, que, mesmo na altura, o retirar destas ornamentais peças de culto foi móbil de protestos e que a sua posterior colocação em cemitérios ou Igrejas foi lenta e muito maldosa para a integridade física dos ditos cruzeiros.
O Senhor do Padrão de Campanhã, a que este Enigma 5 se refere, ficava na antiga estrada para a freguesia mais Oriental do Porto, estrada essa que partia da Praça da Batalha e se subdividia em duas em São Lázaro: uma seguia para Valongo, a "estrada do Pão", por Bonfim e São Roque da Lameira, e a outra seguia para o esteiro de Campanhã ("Para Oriente vi-te passar, rumo à rima de amanhã."), a "estrada de Campanhã", por Reimão, Heroísmo e Freixo.
O Cruzeiro do Senhor de Campanhã era um dos cruzeiros que marcava esta segunda estrada e que estaria inicial e aproximadamente no Largo Soares dos Reis, no início da Rua do Heroísmo ("Estive na Rua da Coragem"), junto ao lugar onde se viria a construir a entrada principal do cemitério do Prado do Repouso ("na travessa do descanso"). Mais tarde, o cruzeiro seiscentista foi dali retirado tendo passado para um alpendre na Rua da Formiga ("Na Formiga sobre o Alpendre") que, na altura, seria um pequeno núcleo rural afastado do centro da cidade do Porto, mas que hoje, e sobretudo após a chegada do comboio a Campanhã ("se o apanhares lá em baixo... Então nunca mais te alcanço."), se viu incluída nesta. Finalmente, após este acidentado percurso, o cruzeiro do Senhor do Padrão de Campanhã passou para o interior da Capela da Senhora da Saúde, construída em 1810.
Aquando da remoção em massa dos Cruzeiros, a 1 de Junho de 1869, muitos foram aqueles que protestaram e que inclusivamente roubaram cruzeiros para os colocar no seu quintal. A vontade enérgica da edilidade em retirá-los da via pública conduziu a que se fechassem os olhos a estes indignos furtos. O objectivo da Câmara era possibilitar a circulação fácil na via pública retirando obstáculos que a dificultassem e evitar que estes cruzeiros funcionassem como urinol, numa prática infeliz da época por alguns portuenses menos cumpridores.
Diga-se, em abono da verdade, que nem todos teriam esta atitude tão pouco digna perante objectos com tal carga histórica, religiosa e emblemática. A 3 de Maio, dia da Santa Cruz, os cruzeiros eram decorados com flores e as festas em torno de cada um deles tomavam por vezes dimensões assinaláveis com romarias e fogo de artifício.
Há ainda histórias em torno de defensores intransigentes dos cruzeiros, sabiamente contadas por Sampaio Bruno, que se teriam acorrentado às cruzes para que estas não fossem removidas e memórias dos trovões irados vindos dos céus que ribombaram naquele mesmo primeiro dia de Junho.
Hoje em dia, estas peças que ajudaram a definir os arruamentos e praças do Porto, que são parte sólida da história desta cidade estão ou esquecidos ou maltratados. Salvou-se o Senhor do Padrão de Campanhã que, provavelmente com a força de um daqueles trovões de Junho, vai decorando imponentemente o altar principal da Capela da Senhora da Saúde na Rua do Heroísmo. JRP

 

terça-feira, setembro 14, 2004
  A Primeira Pedra
Termina aqui a série de posts dedicados às comemorações henriquinas de 1894. O local certo para encerrar as festividades de há 110 anos é precisamente esta varanda da Rua do Infante, com vista geral sobre a praça, ladeada à esquerda pela Bolsa e ao fundo pelo Mercado Ferreira Borges.
Na realidade não se trata de uma fotografia, mas sim de três fotografias mais ou menos sincronizadas, criando assim uma panorâmica inovadora.
Ao centro da imagem podemos ver um grupo de homens apinhados. Todos, ou quase todos, têm o chapéu na mão. Apesar de ainda haver bastante vento, não foi esse o motivo pelo qual os homens se descobriram, é que no meio da turba, quase indistinto, está D. Carlos que lança a primeira pedra do monumento ao Infante D. Henrique, ao fundo, no pavilhão real, estão três figurinhas, duas delas de fraque e uma, a maior, envergando farda. Serão, muito certamente, os herdeiros D. Luís Filipe e D. Manuel, mais o irmão do rei, o Infante D. Afonso.
E assim, poucos anos depois do 31 de Janeiro, um rei e três infantes vêm ao Porto comemorar um outro infante. Expõe-se os galões, brilham as dragonas e à volta da praça, geometricamente afastados de tanta monarquia, o povo observa silencioso. Tal como nas outras fotografias, a mudança e o século XX espreitam em cada gesto inconsciente.
A primeira pedra do monumento bem que poderia ser a última de toda uma era. MBP
 

segunda-feira, setembro 13, 2004
  Gratia Plena

Recuperemos a nossa viagem até ao dia 4 de Março de 1894.

O rio agora está invisível sob as arcadas grossas da Mouzinho da Silveira. Já não há veleiros, por isso observemos o Cortejo Cívico e o carro alegórico. Dirigem-se para a Praça do Infante, mais lá em baixo. O vento continua a fazer-se sentir, mas a luz que erradia da fotografia denuncia umas abertas no céu. A grande sombra no pavimento, à esquerda, revela-nos esse mesmo sol e diz-nos as horas. Será o início da tarde.
Em frente, sobre o lado direito, ergue-se um fantasma. É o velho Convento de São Bento de Avé Maria, edifício gradeado e trágico. Foi erguido no início do século XIX para substituir o velho convento quinhentista que ardeu em 1783. Aparentemente uma história corriqueira: arde um convento, faz-se um novo. Mas a fotografia é, como disse, de 1894. Os sinos do convento não contarão muitas mais Ave Marias, em 1895 o convento seria arrasado para dar lugar à Estação de São Bento, onde o mormente desfiar dos terços foi substituído pelo cavalgar intoxicante do vapor. MBP
 

Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.
A Praça Nova está de volta!
Que trema o país...
Blog gerido por Jorge Ricardo Pinto (JRP) e Mário Bruno Pastor (MBP). Qualquer dúvida, insulto, comentário ou tentativa de extorsão, contactar: aliados.blog@portugalmail.pt

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