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Avenida dos Aliados
sábado, agosto 28, 2004
  A Leste do Norte

O terreno é acidentado e agreste, o sol queima, sufoca-nos o corpo, mas em cada curva do caminho há um magnetismo que me atrai.
Aqui, onde o xisto rasga a imensidão do olhar, respiramos o Alto Douro, o ponto intermédio onde do fundo dos vales se vai gerando, com um vagar de natureza pura, a essência do espírito que vem desaguar ao Porto. MBP
 

sexta-feira, agosto 27, 2004
  A vegetação e o mar. O Verão a terminar...
O mar junto à Avenida de Montevideu, no Porto, Agosto de 2003.
Os ponteiros desconexos do meu velho relógio caminham lentamente no mostrador transparente e revelam-me a chegada de Setembro. A cada esgar do meu olhar, o mar parece-me irritantemente perturbado e o Sol, caindo incontornavelmente no horizonte, suavemente calmo e relaxado. O Verão está para terminar.
Lembro-me então de um poeta algarvio. Assim viu ele o mar da foz do Porto.

"Nem só no mar se navega, também
nas sombras e nos charcos da cidade inacabada
e já ruína
um homem se exalta e entristece
com as ondas precárias dos seus irmãos
nascendo e caindo na foz
quotidiana. Nem só no mar,
onde vivi outro rumor, nem só no sal que me lembra
o sabor do peixe antigo,
um homem naufraga. Também
nas casas velhas e nas ruas cansadas
as formigas imperceptíveis da morte
cumprem o seu destino. Inclino-me
sob o vento
e defendo a natureza da minha
voz: vegetação
tão vária, tão paciente
como as ondas do mar da foz" - Casimiro de Brito

(Mais info aqui). JRP
 

quinta-feira, agosto 26, 2004
  Angústia.
A Ponte Maria Pia sobre o Douro, vista por mim, a partir de Gaia, na passada semana.
O tempo cinzento que me protegeu quando tirei esta fotografia, acompanha o destino da centenária peça que está à minha frente. Basta-me dar uns passos em frente e choco com o portão, versão tripeira do muro de Berlin, que me impede de circular sobre a ponte Dona Maria.
Não deixa de ser irónico! O Rio que deveria unir, separa os dois municípios. A ponte que deveria abraçar, desirmana as duas cidades.
Foi em 1877 que o primeiro comboio por aqui passou. Se me silenciar e prestar atenção, o eco da sua passagem faz ricochete no colégio dos Órfãos, pálido lá no fundo, e regressa à velocidade de um raio, penetrando silenciosamente no meu ouvido duro. Nessa altura, na década de 70 da centúria de oitocentos, Eiffel ainda não tinha produzido a Torre, que só surge cerca de 12 anos depois.
Passados cerca de cento e vinte e sete anos, a torre Eiffel é um dos monumentos mais procurados do planeta, uma fonte gigantesca de receitas e um passaporte seguro para a chegada de turistas. A nossa ponte, passado o mesmo tempo, é inexplicavelmente um empecilho dispendioso, segundo os que nos dirigem, e mesmo a sua fama, granjeada à custa da sua idade e sobretudo da assinatura de quem a concebeu, é-lhe tantas vezes roubada em detrimento da ponte Luís I, de Teófilo Seyrig.
O Porto Oriental é tantas vezes assim. Esquecido, incompreendido, desvalorizado injustamente. Aqui temos nós uma peça valiosíssima, com a assinatura de um nome de importância mundial, exemplo em estudos internacionais da arquitectura do ferro, e, por aqui, nem serve de atracção turística, nem de apoio à circulação ou ao serviço da cidade. Se não é possível outra adaptação (Metro ou automóvel), porque não fazer uma via de circulação de peões e bicicletas?
As verdes ervas daninhas e restantes formações vegetais mais ou menos dignas que crescem à minha frente sorriem e aplaudem o esquecimento da ponte. Elas são seguramente as únicas beneficiadas de tal descuido, fruto da marginalização que o espaço leste da cidade tem sofrido ao longo dos anos. JRP
 

quarta-feira, agosto 25, 2004
  Somethings are better left unsaid.
Cartaz do Festival de Paredes de Coura de 1998.
Terminada a edição deste ano do Festival de Paredes de Coura, apetece-me recordar o longínquo ano de 1998, quando um antropomórfico girassol dançou naquele gigantesco palco, perante os sons lânguidos de uma guitarra e a doce melodia de um Farfisa TK100.
Tudo isto aconteceu durante o concerto de uma banda portuense que, instantes depois daquele passo de dança apaixonado, dedicou nostalgicamente uma canção à cidade Invicta. No momento seguinte, referindo-se à cidade do Porto, o cantor desafinado sibilava trauteando as seguintes palavras:

Sunset at five
goodtime for a dive
in the peculiar place
after your kiss in my face...


Passados seis anos desse momento, fica aqui, no Avenida dos Aliados, o transporte rápido para essas memórias. Hoje, olhando para trás, perante a curta e inebriante cadência das imagens passadas, muitas memórias parecem inventadas, muitos degraus parecem inatingíveis.
Este espaço é para quem, lá no fundo da memória, se recorda. E para quem, não se recordando, queira imaginar aquela que eu queria como a mais nórdica das bandas.
Nele poderão ler todos os poemas, espreitar muitas relíquias, sentir o pulsar de quem viveu a experiência no momento e perceber os impactos que o movimento criava.
Este é um espaço dedicado à banda cuja música Jorge Manuel Lopes, do Via Rápida, um dia definiu como "reflexões existencialistas de quarto de adolescente tardio": os Lads. JRP
P.S.- O diário foi escrito online e está em inglês, não só porque o intuito era criar uma banda de dimensões interplanetárias como, na altura, a utilização do cyberespaço em Portugal era reduzida. Qualquer comentário que queiram deixar, façam-no nesta caixa de comentários em baixo e não no site dos Lads. Obrigado.
 

terça-feira, agosto 24, 2004
  Lembrar os nossos. (12)
O Cais da Ribeira do Porto, como eu o vi, na noite de 8 de Maio de 2004, depois de uma viagem ao Sul.
"Cais da Ribeira

Nem todas as cidades são feitas de pedra
como esta que traça os contornos da terra

frio e duro sotaque do rio
voz da pedra com que as crianças
vão renovando o musgo
casca de peixe tripa de fruta
traço dos mapas com que se conhece o mundo

Medusa a górgona morreu aqui -
sustinha o nervo escuro das águas
contra a goela do tempo" - Paulo Pais

JRP
P.S. - O Via Dupla tem um bilhete de partida para um passado recente, mas brevemente longínquo. Não o percam! Se o fizerem, sentir-me-ei com um peso maior que o do Preto da Casa Africana. Obrigado, JPC, pelo eternizar de uma imagem. São posts como este que alimentam a vontade de continuar a blogar.
 

segunda-feira, agosto 23, 2004
  Solução para o Enigma 3.
Extracto da Planta do Porto de 1892, de Telles Ferreira.
Apesar do Enigma 3 não ter sido um problema matemático, Paulo Araújo resolveu-o com o mesmo brilhantismo com que escreve no seu blog Dias com Árvores. Os meus parabéns! Sinceramente, quando coloquei o Enigma 3, nunca pensei que, passado apenas uma hora, uma parte considerável da resposta já tivesse sido encontrada.
O extracto do mapa de 1892 de Telles Ferreira, ajuda-nos a identificar o local em questão. De facto, e tal como o nosso digníssimo leitor apontou, trata-se de um edifício oitocentista (a rosa no mapa) que se localiza na Rua de Barão de São Cosme, na cidade Invicta. Daí as referências na charada: "Agora sou pobre barão", "Tenho tiques de nobreza" e "Protejo sempre quem nos cura e sou amigo do Damião" dado estes serem os santos protectores dos médicos e dos enfermeiros, São Cosme e São Damião.
O "casarão aprumado, escondido e grandalhão" ficava na antiga Rua da Palma ("vivi na Rua do Óleo"), desaparecida com abertura das chamadas "Ruas Novas", a partir de 1882, na qual se inclui a Rua do Barão de São Cosme. A frescura destas ruas em 1892, cerca de 10 anos depois, pode ser deduzida no mapa pela ausência de edificações, quer em Barão de São Cosme, quer em Joaquim António de Aguiar, Duque de Palmela, Duque da Terceira ou Duque de Saldanha, hoje em dia absolutamente edificadas. Decalcada a vermelho no mapa encontra-se a Rua do Conde das Antas, que jamais foi iniciada, dado interferir com o Cemitério do Prado do Repouso, no seu caminho até ao Largo Soares dos Reis.
O mapa de 1892 permite ainda tirar mais algumas ilações. Podemos deduzir que o casarão fotografado no Enigma 3 é anterior a 1882 e que, graças à configuração do jardim (a negro no mapa) e à presença da Araucária que ajudou Paulo Araújo a desvendar o Enigma, o seu primeiro proprietário seria provavelmente um retornado brasileiro, à imagem de muitos outros exemplos no Porto e em particular na parte Oriental da cidade.
Pessoalmente, ainda mais interessante parece a descontinuidade criada pela manutenção de parte da antiga Rua da Palma na Rua Barão de São Cosme. Decalcado a verde está o traçado actual da Rua, mas que mantém em recuado a antiga fachada da Rua da Palma, de onde tirei a fotografia (ponto azul no mapa). A restante adaptação topográfica é realizada através de uma pequena escadaria que resolve a descontinuidade entre a actual Rua do Barão de São Cosme e o antigo percurso da Rua da Palma. O espaço em questão, de forma triangular e parcialmente com contornos a verde no mapa, em vez da pensada edificação, tem actualmente um pequeno jardim. O casarão em análise teve nos últimos 60 anos função industrial. Ali teve lugar, até recentemente, a fábrica dos eléctricos "Fogões Meireles", equipamento muito em voga na primeira fase da construção dos bairros sociais, vindos da Rua de São Victor, na década de 50 do século XX, onde produziam os desaparecidos fogões circulares. Actualmente, segundo me constou, o espaço é ocupado por um tintureiro.
Depois da solução final do Enigma 4, a ser dada pelo aliado MBP, preparem-se religiosamente para o Enigma 5... JRP
 

domingo, agosto 22, 2004
  "Outra vez, outra vez..."
O Benfica está de parabéns.
Para além de só ter perdido 1-0 com a equipa B do actual Campeão Europeu, ganhou também um reforço fantástico para a nova época. Falo de Xistra, Carlos Xistra, que demonstrou ter lugar na equipa titular encarnada dada a forma como, em particular nos últimos 20 minutos do jogo da Supertaça Cândido de Oliveira, criou lances sucessivos de perigo junto à área adversária. O reforço, contratado por José Veiga, flanqueou o jogo da sua equipa através de cantos consecutivos e arrancou amarelos inimagináveis aos azuis e brancos, encantando a falange de apoio vermelha. Segundo fonte próxima ao Avenida dos Aliados, Zahovic terá mesmo afirmado os seus receios: "Com um playmaker destes, não tenho lugar na equipa. O Xistra é um número 10...". Tudo indica que semana sim, semana não, Xistra alternará entre o Benfica e o Estoril.
Contudo, as boas notícias não param por aqui na equipa deca-derrotada do Campeonato português. Álvaro Magalhães, treinador adjunto dos encarnados e indivíduo conhecido pela sua calma e ponderação, venceu, em Vila Moura, na semana passada, o prestigiado troféu "Paulo China". Ricardo Sá Fernandes, conhecido advogado adjunto de Serra Lopes, saiu do evento claramente abalado por uma derrota não esperada. JRP
 

Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.
A Praça Nova está de volta!
Que trema o país...
Blog gerido por Jorge Ricardo Pinto (JRP) e Mário Bruno Pastor (MBP). Qualquer dúvida, insulto, comentário ou tentativa de extorsão, contactar: aliados.blog@portugalmail.pt

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