Nove Amanhãs.

O Porto Oriental, visto do Dragão, numa noite de Verão.
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Aquela revelação desconcertara-me, disso não havia dúvidas. Eu sabia muito bem o que era a Espaçolina, tratava-se de uma droga que a maioria dos viajantes eram obrigados a tomar durante as suas primeiras nove ou dez viagens interplanetárias. (...) A Espaçolina era o único remédio para a vertigem causada pela aceleração espacial, e para as psicoses mais ou menos permanentes que essa vertigem originava. A Espaçolina impedia qualquer destas mórbidas reacções, e os passageiros nem notavam que se encontravam no espaço. A Espaçolina era um remédio ideal, essencial e insubstituível. Sem a Espaçolina, metade dos passageiros que actualmente viajam pelo espaço teriam de ficar em terra, ou na Terra." - Isaac Asimov, Nove Amanhãs.
À noite, entre frinchas ou em espaços livres, o caminho das estrelas é feito pelo Porto. Lentamente, sem darmos por isso, o espaço sideral ocupou a nossa cidade e o futuro distante, nove amanhãs depois, aparece surpreendentemente magnífico a Oriente. Ao longe, a escuridão do Parque da Corujeira interrompe o festim luminoso da modernidade... Haverá ainda tempo para retrocesso? Teremos tomado a Espaçolina? Ainda há por aí uma cápsula de Complexo 20?
JRP
Mordomo de casa abastada.
Enquanto se vai resolvendo o
ENIGMA 2, proponho duas leituras que julgo interessantes. Assim sendo, espreitem o activo blog
A Baixa do Porto, onde
Cristina Santos comenta o post
Caso de Polícia publicado
aqui nesta
Avenida dos Aliados. Depois, deliciem-se com esta sumptuosa descrição do Porto, pelo antigo director da Biblioteca Pública do Porto, vulto da Literatura e da História de Portugal, que não sendo portuense era um fiel apaixonado da nossa cidade, tendo aqui vivido durante longos anos.

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O Porto ergue-se em anfiteatro sobre o esteiro do Douro e reclina-se no seu leito de granito. (...) O seu aspecto é severo e altivo, como o de um mordomo de casa abastada. Mas não o julgueis antes de o tratar familiarmente. Não façais caso de certo modo áspero e rude que lhe haveis de notar; trazei-o à prova, e achar-lhe-eis um coração bom, generoso e leal." -
Alexandre Herculano
(mais info
aqui)
JRP
Enigma 2
Ora aqui vai também o meu enigma. Não diz respeito a questões urbanísticas (pelo menos directamente), mas prende-se com uma curiosidade da vida sócio-económica do Porto.

Alguém sabe o que é isto e quais as razões da sua existência? Mais simples não podia ser.
MBP
O Ciclope.

O Farol de Felgueiras na Foz do Douro, no Porto, como eu o vi em Agosto de 2003.
O som ritmado vindo do mar e o intenso cheiro a maresia ocultam a infinitude da paisagem. Ainda há pouco estive por ali e o encanto sem paralelo permanece um ano depois.
Vai longínquo o tempo em que escrevia poemas ao halo da Lua e à estrelada estrada no mar. Por ele imaginava subir ao satélite azul e calcar o trilho da felicidade.
Mas aqui o tempo não passa...
Ancoram barcos de papel na minha memória e aportam sorrisos antigos na minha mesinha de cabeceira. São sinais pelos quais me guio, num discreto piscar de olhos enquanto a luz ciclópica e intermitente me charlataniza.
Enganado, deixo-me seduzir por ela e mergulho em águas de outros oceanos.
Aqui, nunca tenho medo.
Aqui, estou finalmente só e eternamente acompanhado.
JRP
Finalmente... a Resposta ao ENIGMA 1!
Peço desculpa pela demora em responder aos caríssimos leitores do
Avenida dos Aliados no que se refere ao
ENIGMA 1. Foi a forma de prolongar a dúvida e permitir que um maior número de pessoas opinasse sobre a charada. Queria, desde já, agradecer a todos a participação voluntariosa.

Planta Redonda do Porto de 1813, por Balck.
O mapa apresentado, extracto da famosa planta redonda de Balck, serve para elucidar os leitores sobre a localização da capela da Batalha, resposta ao
ENIGMA 1, a azul escuro no mapa. A Capela da Batalha localizava-se muito próximo do Teatro São João (a vermelho no mapa), em plena Praça da Batalha ("
Vi-te ao pé do drama"), sendo que até 1793, data em que foi mandada apear por Francisco de Almada e Mendonça, estava situada junto à antiga Porta de Cimo de Vila ("
Vi-te junto à Porta"), assinalada a verde. Esta decisão do antigo corregedor deve-se ao embaraço que a primitiva localização da capela causava à normal circulação dos veículos na antiga estrada de Penafiel que de Cimo de Vila pela actual Rua de Santo Ildefonso (tracejado violeta no mapa) se fazia.
Depois do incêndio do primeiro edifício do teatro São João, foi através do traço doce de Marques da Silva que o actual Teatro cresceu, e com a justificação de a Capela ofuscar em perspectiva a fachada deste edifício, foi decidida a sua demolição em 1924, após intensa discussão camarária. Como o arquitecto Marques da Silva aprendeu as artes do desenho na Escola de Belas Artes de Paris, trazendo para o Porto muita da imagem da Cidade das Luzes (para tal, veja-se o quarteirão composto pelas Ruas Conde de Vizela, da Fábrica, de Cândido dos Reis e das Carmelitas), lembrei na charada esse regresso do arquitecto de terras gaulesas ("
De França veio aquele que te fez a cama...").
Para aqueles que se vêem mais perdidos no mapa e nas explicações, pintei a amarelo a soberba Igreja de Santo Ildefonso, a tracejado rosa a comercialmente encantadora Rua de Santa Catarina e a castanho o doente e moribundo Cinema Batalha, na sua localização actual.
Parabéns ao
POS que, como craque que é, muitas dificuldades me irá trazer para conjecturar futuros enigmas.
JRP