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Avenida dos Aliados
sábado, julho 17, 2004
  3 meses depois.
O Porto e o Douro no princípio de Junho passado.
O tempo passa...
Três meses depois da sua fundação, o Avenida dos Aliados vai crescendo. Nasceu, vingou e foi-se alterando ao longo do caminho. Ele não é hoje exactamente aquilo que os seus babados papás tinham definido, mas tomou um rumo provavelmente ainda mais interessante. Por entre os ramos verdes das árvores assoladas pelo vento do Norte, ao lado do património da memória portuense com o sabor dourado de uma viagem onde nunca se esteve, temos tentado servir acima de tudo o Porto, nunca descurando um certo "umbiguismo" que desavergonhadamente não escondemos.
Por aqui, temos sentido que a blogosfera também tem mudado e que nós, humildemente, também contribuímos de forma singela para essa mudança, não só no número de visitas que temos registado por cá, como no aparecimento de mais blogues sobre o Porto e a sua região.
Decidi, então, lançar uma espécie de repto, quer a blogues que já aqui foram mencionados, como o amigo e fabuloso Fonte das Virtudes, o político e determinado Nortadas ou o ecológico e conhecedor Dias com Árvores, quer a blogues tripeiros que ainda não mencionamos e que a partir de hoje também fazem parte das nossa ligações na coluna da direita, como o incisivo Blasfémias, o antropológico Avatares de um Desejo ou o literário Aviz, quer a todos os outros blogues que, de alguma forma, se sentem ligados à Invicta e que não foram aqui mencionados.
Porque não criar uma espécie de liga entre todos? Talvez criando um departamento destacado para este círculo ou uma espécie de ring (uma VCI da internet) como já vi noutros temas e noutros sítios. Fica a proposta que só não avança mais imediatamente devido às minhas parcas limitações técnicas. Penso que seria uma união interessante, proporcionando uma maior troca de leitores como a possibilidade de sermos mais dialogantes uns com os outros.
Muito obrigado a todos que por aqui vão passando e beliscando simpaticamente o que vamos escrevendo. Para nós tem sido uma experiência extraordinária sentir as vossas chegadas, ler os vossos comentários, trocar informações e emoções sobre a nossa cidade. O Porto está vivo... JRP
 

sexta-feira, julho 16, 2004
  Há dias assim
E por vezes passam-se as vidas inteiras assim, numa perpétua arritmia dos ventrículos da alma e do corpo. 
  
Valvulina
 
Acordo com o cansaço da manhã
com o cheiro das primeiras vozes
e os motores acesos da casa que principia.
De novo. Sempre principia. Setas
que segregam luz dolente, esfarelam
por dentro de quem não queria
acordar nunca, esquecido na rasura
dos lençóis, o empurrão da voraz claridade.
 
Cada próspera cidade tem no seu meio
uma cidade de subnutrição, crianças mortas,
desalojados, desemprego. E em cada cidade
das mais podres há, num aro de metralhadoras,
uma cidade da tecnologia, rara
costura, sobre finança e medo.
 
Confundo lucerna com lucarna enquanto
a tormenta não acaba nunca de passar.
A pequena janela com a lamparina,
quase um candil. Brechas; nessa confusão
esqueço os pisos que se amontoavam,
os materiais falsificados que fracassam,
a selva da rua que parece sorver calor.
Ninguém acerta o relógio por um sino.

 
[…]
 
Joaquim Manuel Magalhães
 
É esta também a minha grande e inteira manhã. MBP
 

quinta-feira, julho 15, 2004
  Casal do Pombal.
Interior de quarteirão nas traseiras da Rua de Cedofeita, hoje ao princípio da noite.
Da pacatez desta janela, observo alguns vestígios industriais da primeira metade do século passado.
É um Porto escondido com o "rabo de fora", sempre pronto a espreitar a cada esquina, em muitos logradouros, por entre os prédios longos e as casas baixas.
Esta área, onde decorreu o primeiro projecto de urbanização privado na nossa cidade, em 1805, por Jerónimo Pereira Leite, comerciante da cidade, as ruas cortam-se perpendicularmente, com a do Rosário a marcar de forma indelével a cadência e o ritmo do espaço. À minha esquerda, dispara rectilínea a Rua do Breyner e, mais à frente, Miguel Bombarda pinta e expõe o desenho urbano do princípio de oitocentos.
Este era o antigo Casal do Pombal, posse da Igreja de Cedofeita, que foi sendo aforado, até à transição para o século XIX, para ser utilizado como área de cultivo. A partir daí, e depois de um arranque de oitocentos muito turbulento com as invasões francesas, diferentes epidemias e a Guerra Civil da década de 30, a urbanização foi crescendo de forma sólida surgindo, sensivelmente ao mesmo tempo, fábricas, sobretudo de fiação e tecelagem, e habitação operária, nomeadamente as tripeiras "ilhas", preenchidas por uma gigantesca vaga de migrantes originários das áreas rurais do interior.
O Sol já partiu no horizonte e estas pedras, não tão velhas e acabadas como muitos julgam, jazem esquecidas por entre fachadas enganadoras.
Esta é uma história escondida de um antepassado presente e fantasma esquecido de um Porto de outrora. JRP
 

terça-feira, julho 13, 2004
  Terra do Nunca.
O Porto, ontem, a partir da Serra do Pilar.
Como me inveja o Peter Pan...
A Londres que ele sobrevoava na companhia da minúscula Fada Sininho não era nem uma pequena amostra da grandiosidade pictórica do nosso Porto. A Terra do Nunca, morada do herói da Wendy, não sustinha tanta fantasia quanto esta paisagem em si encerra.
Por cima de mim, entre algodão doce, penas e plumas, nuvens fofas e brancas, Mercúrio saboreia sonolento um cacho de uvas verdes e descansa enfim. Até ele, Deus mensageiro das Viagens, sinónimo da velocidade, pára aqui a descansar, mirando a cidade que, de tão esculturalmente perfeita, nenhum deus a ousou construir ou derrubar.
Deste lugar, sente-se, ao mesmo tempo, o sabor salgado da maresia e o aroma doce da vinha, veículos rápidos da líquida estrada dourada que se cruzam entre pontes.
O silêncio confunde-se com o bulício nocturno da Invicta que, ao longe, ameaça desaparecer a cada grão caído da ampulheta.
Este Porto sabe-me docemente à maçã proibida do Éden. JRP
 

segunda-feira, julho 12, 2004
  a Norte do Norte.
Oitocentista Farol de Felgueiras na Foz do Douro, Porto
Depois de no início de Junho ter divagado um pouco acerca desse sentimento setentrional profundamente ligado à cidade do Porto (aqui, aqui e aqui), foi com enorme prazer que descobri recentemente estas palavras azuis do crítico algarvio Roberto Nobre sobre a nossa cidade. Independentemente de o Porto ser, em termos latitudinais, mais meridional que Viana do Castelo, Londres, Rostock ou Helsínquia, para mim, e pelos vistos para muitos, será sempre a mais boreal das cidades. A Geografia não é tudo...

"O Porto tem uma tonalidade sua e um «clima» próprio, uma «patine» que não é meridional. A cor amortecida, tamizada de alguns dos seus bairros, a sua luz muitas vezes velada pelo nevoeiro, o seu ambiente evocativo, dão-lhe expressão nostálgica de cidade nórdica, como Bruges e Amesterdão. Isso lhe dá uma «alma» e uma expressão singular." - Roberto Nobre
(mais info aqui). JRP
 

domingo, julho 11, 2004
  Para a História do Liberalismo Português Oitocentista.
Aproveitando o debate criado entre o aliado MBP e o colega da blogosfera POS, no post anterior, aproveito para aumentar a confusão ou, quem sabe, ajudar a clarificar as dúvidas que ambos sabiamente levantaram.
A questão prende-se com o local exacto do desembarque liberal em 1832 que haveria de conduzir, numa primeira fase, ao Cerco do Porto e, num segundo momento, à instauração do liberalismo em todo o Portugal. Antes do mais, gostaria de juntar a minha voz de indignação pelo esquecimento a que foi votado um dos momentos mais entusiasmantes e engrandecedores das gentes do Porto. Foram meses de angústia e luta por um ideal que só dignificam historicamente a cidade do Porto que sozinha enfrentou um país e triunfou. Fosse outra a cidade heróica e, provavelmente, teríamos toneladas de celebrações, rios de documentários e centenas de monumentos históricos a recordar-nos de tal feito epopeico.
Mas, regressando ao tema que conduz os meus dedos pelas teclas do meu pc, gostaria de lembrar esta memória, fotografada ontem, que evoca uma tentativa falhada de desembarque liberal, 3 dias antes da bem sucedida, a 6 de Julho de 1832, mesmo junto da Capela da Senhora da Guia, em Vila do Conde, a Norte da discussão Pampelido/Mindelo/Praia da Memória.
Ora, dada a reduzida dimensão dos aglomerados urbanos no Noroeste português na década de 30 do século de oitocentos, julgo normal a confusão entre os espaços costeiros do Porto a Vila do Conde. Será, então, muito difícil determinar a localização exacta do desembarque liberal a 9 de Julho, até porque os topónimos também se alteram ao longo do tempo, quer em termos linguísticos, que em termos de localização. Afinal, em 1832, aquelas praias seriam pertença das extensíssimas Terras da Maia e hoje distam do mesmo concelho alguns quilómetros devido aos reajustes administrativos a que foi sujeito este território entre o Douro e o Minho, no futuro subsequente ao da implantação liberal em Portugal.
Ainda que este marco no território pouco ou nada ajude a clarificar a questão, fica aqui a simples fotografia de uma singela memória (não confundir com a que está na Praia da Memória, uns quilómetros a Sul), recordando e eternizando um momento glorioso da construção do nosso país. Para o Porto, em particular, este levantamento é importante: recorda a estoicidade e o espírito de sacrifício que este povo granítico foi capaz de demonstrar em torno de uma causa e de um ideal. Seguramente, lá no fundo da Avenida dos Aliados, D. Pedro esboça um sorriso por esta nova frente aberta na Avenida. JRP
 

Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.
A Praça Nova está de volta!
Que trema o país...
Blog gerido por Jorge Ricardo Pinto (JRP) e Mário Bruno Pastor (MBP). Qualquer dúvida, insulto, comentário ou tentativa de extorsão, contactar: aliados.blog@portugalmail.pt

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