Avenida dos Aliados
Os 7500 Bravos
Foi no dia 9 de Julho de 1832 que um exército de 7500 homens, comandado por D. Pedro IV, desembarcou nas praias do Mindelo com o objectivo de resgatar o país do miguelismo.
Entre esse punhado de homens contavam-se grandes figuras, como Herculano ou Garrett.
O próprio D. Pedro fez questão de comandar pessoalmente o seu exército.
Hoje, volvidos 172 anos, pouco se fala nesse passo decisivo para o triunfo do Liberalismo em Portugal. Os ditos liberais desligaram-se do ideário cívico e humano dos vintistas (e cartistas, porque não?) de oitocentos.
O liberalismo hoje é debitado como uma cartilha económica mais ou menos smithiana, mais ou menos esotérica; enquanto que o Liberalismo real, esse movimento político e humano, que grafava Progresso com P maiúsculo, que lutava pelas causas maiores da sociedade, como a liberdade de expressão, a igualdade de direitos e oportunidades, a defesa dos animais, a laicização do estado, esse Liberalismo tem sido cada vez mais esquecido, cada vez menos entendido, sobretudo por aqueles que andam com o termo sempre debaixo da língua. É pena.
Por tudo isso, o Avenida dos Aliados presta hoje homenagem a todos esses homens que lutaram, sofreram e até morreram pela causa Liberal, a genuína. Esses homens que entenderam a liberdade como ponto central de todo o desenvolvimento. Essas pessoas que, mesmo antes do desembarque, foram executados em plena Praça Nova pela intolerância do Portugal Velho.
MBP
Ainda Tintin.

Excerto do álbum O Caso Girassol das Aventuras de Tintin.
O meu percurso pelas
Aventuras de Tintin é, como sabem (
aqui,
aqui e
aqui), uma sentida viagem em torno de diferentes mundos e perspectivas. Por vezes, esses folheados passeios são sobretudo périplos pelo mundo do sorriso numa constante alusão ao divertido mundo real.
Nesta tira de um dos álbuns com cariz mais político das
Aventuras do Tintin,
O Caso Girassol, tenho esta sorridente sequência como uma das mais metaforicamente interessantes, remetendo-me permanentemente para algumas das personagens da vida sócio-política portuguesa. Essa alusão varia de acordo com o meu próprio humor pessoal (nem sempre o melhor, diga-se) e com o próprio novelo desenrolado pelos insanos noticiários da televisão portuguesa.
Numa busca rápida pela minha memória, recordo-me de ter associado este episódio a personagens como
Marques Mendes, militante do PSD,
Lili Caneças, figura proeminente do jet-set lisboeta,
Valentim Loureiro, presidente da Câmara de Gondomar entre muitas outras presidências e ex-presidências ou
Pedro Santana Lopes, militante do PSD, figura proeminente do jet-set lisboeta e presidente da Câmara de Lisboa entre muitas outras presidências e ex-presidências.
Decidi então propor aos meus aliados e aos leitores da
Avenida dos Aliados que se deixem conduzir pelo exercício e que sugiram, na caixa de comentários, alguns dos nomes que também perpassam pela vossa mente na leitura deste excerto da obra do genial Hergé.
JRP
Maioridade.
Quando era miúdo, julgava que ser adulto era sinónimo de responsabilidade.
Agora que sou maior em idade, percebo que ser adulto não é nada disso.
Na verdade, a diferença entre muitos crescidos e a maioria das crianças não reside no aumento da responsabilidade mas no infeliz facto de os adultos não compreenderem o encanto de tomar banho de mangueira.
JRP
Rivalidades.
Enquanto folheava o Bíblico
Guia de Portugal do interminavelmente sapiente Sant'anna Dionísio, encontrei mais uma citação
ácida e paradoxal que prolonga o fosso entre a nossa cidade e a capital, numa prática que aliás tenho vindo a realizar nesta
Avenida dos Aliados (ver
aqui ou
aqui).
Desta vez, fiquei-me pelas palavras de um transmontano de gema, feito do vento nordestino e da poeira sedimentar do interior ibérico que solidifica esta diferença aos olhos imparciais de alguém que lhes é distante:
"
Lisboa é um mostruário colorido e barroco de uma parte aventureira do nosso sangue. É, sobretudo, simultaneamente, um cais de embarque e desembarque da pressa que percorre o mundo. Cidade de muitas e desvairadas gentes, já lhe chamava o outro. Ora o Porto lembra-me antes uma séria e pacata citânia lusitana, murada da nossa altivez de cavadores. Se de resto Garrett pôde nascer do calor do seu coração, se António Nobre pôde morar em paz dentro das suas portas, e se mesmo numa das suas cadeias pôde ser escrito o «Amor de Perdição», que demónio é preciso mais para honrar os pergaminhos de alguém?" -
Miguel Torga
(mais info
aqui)
JRP
O Conselheiro Geraldo
O mundo virtual é um mundo onde encontramos muita realidade. Ou melhor, é um mundo onde as realidades mais secretas se podem manifestar explosivamente. Onde todos temos uma palavra a dizer e sobretudo a expor. E essa exposição, tantas vezes impulsiva perde muitas vezes a noção das distâncias, corta com as barreiras da deferência e o pequeno encontra-se com o maior, numa igualdade que apenas é virtual.
Depois vem a realidade novamente à superfície e a exposição impulsiva encalha nos baixios do ridículo, a escala torna-se visível e a estatura do pequeno deixa de ser virtual para se tornar concreta.
Tudo isto a propósito dos
conselhos eriçados que acabo de ler. O jovem bacharel do século XXI, militante
ppartidário, incomodado e repreendedor teve a infelicidade de ver editado o seu impulso mal medido, toda a virtualidade da sua tacanhez se fez matéria, botando corpo.
MBP
Serenidade.

Vista do Douro a partir do Parque de São Roque, no Porto.
Agora que o país saboreia a bonança depois da deliciosa Euro Tempestade, espreito por entre as sombras, na calada bonomia de um jardim, o serpentear do Douro no seu caminho para montante.
A localização Oriental do parque afasta-o da centralidade de outros jardins e abandona-o delicadamente aos passeios solitários.
A cada recanto o Douro surpreende em tons celestiais e, do local onde estou, é adoçado pela presença discreta do oitocentista colégio Camilo, estandarte bem alto na vertente ferroviária a caminho do rio. A curva do Douro, o coreto, uma antiga capela ou o labirinto de buxo da antiga Quinta da Lameira da família Ramos Pinto adoçam o lugar acicatando o nosso espírito de descoberta.
O Porto tem recantos esquecidos e caminhos por trilhar. Porque não vais por aí?
JRP
O Fim
do Campeonato da Europa de Futebol foi agora.
Portugal reencontrou a Grécia e perdeu. Parabéns aos vencedores e honra aos vencidos. Em qualquer final nunca há verdadeiramente perdedores, todos os que chegam a uma final são bons, mesmo que não tenham um futebol bonito, como se viu esta noite.
Recordemos todo o Euro 2004, todas as selecções absolutamente fabulosas (até a amiga Bulgária) que cá vieram trazer a sua magia, os seus adeptos, a sua alegria. Recordemos aqueles jogos memoráveis, como a Dinamarca contra a Itália, o França e Inglaterra, o muito saudoso Rússia e Grécia, o Portugal contra a Espanha, os
penalties dos quartos de final... Os golos da Suécia, os versos de futebol da República Checa...
Recordemos a exemplar organização tão elogiada pela UEFA, recordemos a alegria de todos os adeptos, em todas as ruas e com todas as cores. Portugal já tem saudades de todo vós.
MBP
Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.