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Avenida dos Aliados
sábado, maio 29, 2004
  Lá, onde o rio faz a curva.
Pela primeira vez, agradeço a absoluta inabilidade das instituições tripeiras em agradar aos seus cidadãos e a quem nos visita. Dirigi-me calmamente aos Jardins dos SMAS (Serviços Municipalizados Águas e Saneamento), neste sábado à tarde, e o passeio não me foi permitido dado os jardins apenas funcionarem de Segunda a Sexta. O luxuriante Jardim, que se localiza na Rua de Barão de Nova Cintra, está repleto de fontes e chafarizes que decoravam o Porto noutros tempos e inclui, entre outras, a majestosa fonte de São Domingos, que se situava no largo com o mesmo nome, ostentando um gigantesco brasão da cidade.



Fui, então, obrigado a percorrer outros caminhos nas imediações. Resolvi descer em direcção à Quinta da China através das pequenas e estreitas ruelas e travessas que povoam o local, sempre cobertas de uma vegetação acolhedora e uma banda sonora envolvente da responsabilidade de pássaros enamorados.
A dada altura, um casarão abandonado serve-me uma vista arrasadora por entre o arvoredo do seu antigo jardim. A curva do Douro revela-me tão só um sorriso lavrado pela ponte que o atravessa e pelo bucólico tom da água que corre pela vertente. O caminho fez-se encosta abaixo, sob o caminho de ferro e sobre a Avenida Gustav Eiffel, através da tripa deixada pela antiga linha da Alfândega.
Os calmos finais de tarde de Maio no Porto são assim. Como uma Aventura de "Os Cinco", mas em que o risco curioso se faz acompanhar de uma orgulhosa solidão inanimada. JRP
 

  Post it!
Agora que o glorioso mês de Maio está a terminar, o Avenida dos Aliados tem algumas sugestões para os próximos dias.
Está a decorrer um ciclo de conferências, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, alusivo ao tema: "Metrópoles: competitividade e inovação na Europa". Na próxima terça-feira, dia 1 de Junho, pelas 10h30, será a vez do arquitecto Carlos Guimarães debater as questões ligadas à "Arquitectura, estratégia e imagem".
Este fim-de-semana realiza-se também a VI Feira de Agricultura Biológica, Ambiente e Qualidade de Vida, no Mercado Ferreira Borges, com entrada gratuita.
Para além das sugestões, eu vou tentar pacificar o meu espírito atribulado com um passeio tranquilo em qualquer jardim da cidade e uma passagem obrigatória por um mítico café do Porto Oriental. E eu com tanto que fazer...
Bom fim-de-semana! JRP
 

sexta-feira, maio 28, 2004
  Oh drink a bit of wine we both might go tomorrow

Oh my love
And the rain is falling and I believe
My time has come
It reminds me of the pain
I might leave
Leave behind


Foi demasiado rápida a sua passagem por aqui. Para ele o tempo não foi largo, como as águas do Mississipi, mas escoou-se com a mesma velocidade alucinada com que o rio entra no mar. Trabalhou apressadamente, como se soubesse que amanhã talvez já cá não estivesse. Como se sentisse que nos devia todas aquelas músicas. Como se o último amanhã despontasse todos os dias.
A véspera desse amanhã foi o 28 de Maio de 1997. Um amanhã onde o silêncio caberá em todos os minutos. Um dia que permanece afogado há sete longos anos. MBP
 

  Voar.
Fotografia aérea do rio Reno e da cidade alemã de Duisburgo tirada por mim da janela do avião que haveria de me levar a Gelsenkirchen.
Silêncio.
Não tenho contornos literários que possam ilustrar o sentimento que me tomou ontem nos braços.
Não tenho palavras, nem frases, nem pontos, nem vírgulas. Apenas esta fotografia.
Algures entre o Céu e a Terra pude voar livremente, com as Penas de uma Esperança e as Asas de um Desejo.
No silêncio do regresso, o mundo todo me pareceu pequeno perante a infinidade da minha alegria e a dimensão do nosso feito.
Não há palavras, nem frases, nem pontos, nem vírgulas para te agradecer, Porto. As lágrimas de contentamento que verti são a expressão mais honesta de um eterno obrigado. Jamais esquecerei aquela noite alemã em que o ser do Porto foi imensamente ser maior que tudo, ser do tamanho do Universo. JRP
 

quinta-feira, maio 27, 2004
  Eu vi
a Avenida a arder.
Uma chama azul que não se pode comparar a nenhuma outra. Foi a maior vitória de sempre. Mesmo para a minha geração, que também se incendiou em 87, o triunfo de ontem pareceu maior e ainda mais sonoro.
Esta manhã, quando passei pela Via Rápida, por volta das 7:30, a chama continuava alta, aguardando os nossos heróis que desfilavam na camioneta, não podia atrasar-me mais e só os vi ao longe. Vinte minutos depois, enquanto tomava o meu café molto expresso, entrou um homem de olhar marejado: - Acabei de ver a Taça! MBP
 

quarta-feira, maio 26, 2004
  Mais do que uma frase...
"Le libéralisme n'appartient pas aux nostalgies du passé mais au contraire aux nécessités du présent et aux espérances de l'avenir." Jean Rey
... é uma forma de encarar a vida. Hoje, mais do que nunca, devemos ter esperança no futuro. PR
 

terça-feira, maio 25, 2004
  A Esperança é essa coisa com penas...

"Hope is the thing with feathers
That perches in the soul,
And sings the tune without the words,
And never stops at all,

And sweetest in the gale is heard;
And sore must be the storm
That could abash the little bird
That kept so many warm.

I've heard it in the chillest land,
And on the strangest sea;
Yet, never, in extremity,
It asked a crumb of me." - Emily Dickinson
(mais info aqui)

Sei que não costumo escolher escritos em inglês, mas hoje quero que a minha voz se faça ouvir bem longe. Das Ocidentais praias Lusitanas às frias estepes Russas, pelas planícies do Reno, do Danúbio e do Volga até às Escocesas terras altas, por Roma, Paris, Londres e Moscovo que o teu nome voe mais alto.

Parto amanhã para a Gelsenkirchen de onde conto trazer o mundo guardado num bolso e a minha alma na lapela.
A Esperança é essa coisa com penas. JRP
 

segunda-feira, maio 24, 2004
  Foi precisamente
há 160 anos que o Mundo começou a encolher.
Tudo começou em Washington, nessa manhã de 24 de Maio de 1844, quando Samuel Morse enviou o primeiro telegrama da história. O destino foi Baltimore e a mensagem, retirada do Velho Testamento (Números 23:23), foi breve – Que coisas Deus tem obrado!
Tão simples e tão poderosa, esta mensagem pode ser vista como o primeiro degrau da longa escadaria que nos viria a trazer até aqui, à Internet.
160 anos depois, continuamos assombrados – Que coisas o Homem tem obrado!. MBP
 

  ...e tapar os ouvidos.
"Eram filhos terríveis os que nasciam da Terra e do Céu, e o pai votava-lhes ódio desde o primeiro dia. Mal nasciam, em vez de os deixar subir até à luz, escondia-os a todos no seio da Terra, e enquanto o Céu se comprazia nesta malvada obra, a grande Terra nas suas profundezas gemia, abafava." Hesíodo, Teogonia, 133-160.

No seguimento do post anterior, acrescento: ...e tapar os ouvidos, meter a cara na almofada, dar voltas para tentar dormir e no escuro do quarto, só ver a luz dos raios e o som do trovão que entra pelas frinchas das persianas.
Encontrar a solução para o sono?
Ler alguma coisa que fale sobre este fenómeno acústico.
Toda esta música celestial, composta por pequenas partículas sobreaquecidas, que desatam numa louca ascensão, entre massas de ar quente e húmido, num cerimonial divino chamado de coup de foudre (a arrelampada)!
Mas nem sempre o trovão causou temor. Em algumas civilizações, o trovão era mesmo ocasião para celebração. Na Antiguidade Clássica, mais concretamente na Mesopotâmia, celebravam-se as divindades Ceráunicas, Teshup entre os Hurritas, Addad entre os Acadianos e Baal entre os Fenícios. A réplica Egípcia de Baal era Seth, o deus das tempestades. Na Índia, o deus do raio era encarnado por Indra que faz parte da religião Védica. Segundo a mitologia Chinesa, era Lei-Tsu o deus dos mistérios dos raios, auxiliado pelo príncipe do trovão, Lei-Kung. Por sua vez na Grécia era Zeus, Júpiter junto dos Romanos. Romanos e Etruscos interpretavam o raio como um presságio (arte fulgural). Já na Idade Média e em pleno domínio da religião cristã no Ocidente, invocava-se Santa Bárbara e Santa Clara.
Depois da Idade Média, todas as tentativas de explicação dos raios e do trovão ficaram sem resposta até meados do século XVII, mas é no início do século XVIII, que homens como o Abade Nollet, Watson, Benjamim Franklin, Van Musschenbroek e Dalibard, acabam com todo o mistério em volta deste fenómeno acústico.
Tal como estes homens, agora já posso dormir descansado... PCS
 

  Pestanejar.
Acabo de chegar molhado a casa. Lá fora, aos relâmpagos sucedem-se trovões, continuamente...
Nestas noites, recordo-me do escárnio dos portuenses em relação à família Pestana. Estes foram os primeiros a estabelecerem-se na Foz abandonando o Porto central, no final do século XIX, num movimento que depois se alastraria a muita da endinheirada burguesia da Invicta.
O portuense comum, no seu estilo mordaz, desdenhava dos pioneiros do movimento dizendo que estes seriam devorados, nestas noites de tempestade, pela fúria marítima...

Eugéne Boudin, Le Havre - A Gust of Wind at Frascato (1884)
Brevemente, também eu serei devorado pela fúria dos lençóis e deixar-me-ei embalar ao som dos trovões. E são os momentos de silêncio que agudizam o momento da explosão. Adormecerei semicerrando as Pestanas. Boa noite... JRP
 

domingo, maio 23, 2004
  Semana Nórdica: A luz que vem do Norte
Durante esta semana (24 a 29 de Maio), terá lugar no Porto uma iniciativa de grande interesse cultural, à qual o Avenida dos Aliados se junta na sua divulgação. Esta iniciativa do Departamento de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (FLUP) e da Casa das Artes, tem como marca profunda uma pequena mostra das culturas da Finlândia, Dinamarca, Noruega e Suécia, numa abordagem de grande qualidade, que passa pela sétima arte, música, leituras e conferências, que marcam o espiríto cultural nórdico.
A abertura da Semana Nórdica terá lugar na Casa das Artes (24 de Maio), pelas 18h.
Os filmes serão projectados na Casa das Artes, bem como o concerto de música. As leituras e as conferências terão lugar na FLUP.
Fica aqui o programa da Semana Nórdica, que gentilmente me foi enviado pela comissão organizadora, na pessoa de Mika Palo. Esta iniciativa terá sempre que possível o acompanhamento do Avenida dos Aliados, porque tudo o que vem do Norte reluz.
Dia 24
21.45 Filme: O rei está vivo, de Kristian Levring (Dinamarca)
Dia 25
18.30 Conferência: A comunidade Nórdica, por Mika Palo
21.45 Filme: Adam & Eva, de Hannes Holm e Mans Herngren (Suécia)
Dia 26
13.30 Conferência: Mitologia Nórdica, por Signe Orom e Mika Palo
18.30 Filme: O ponto (Soufflesen), de Hilda Heier (Noruega)
21.45 Filme: Nuvens passageiras, de Aki Kaurismäki (Finlândia)
Dia 27
18.30 Filme: Lilja 4-ever, de Lucas Moodysson (Suécia)
21.30 Concerto de música nórdica pelo Invicta Trio
Dia 28
10.45 Leituras pelos autores Johan Bargum (Finlândia), John Utsi (Lapónia/Suécia), Marianne Fastvold (Noruega) e Marine C. Roné (Dinamarca)
19.00 Lançamento de A Luz que Vem do Norte. Antologia do Conto Nórdico, na fnac de Santa Catarina
Dia 29
18.30 Filme: O Homem sem passado, de Aki Kaurismäki (Finlândia)
21.45 Filme: O amor é tudo, de Thomas Vinterberg (Dinamarca). PCS
 

Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.
A Praça Nova está de volta!
Que trema o país...
Blog gerido por Jorge Ricardo Pinto (JRP) e Mário Bruno Pastor (MBP). Qualquer dúvida, insulto, comentário ou tentativa de extorsão, contactar: aliados.blog@portugalmail.pt

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