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Avenida dos Aliados
sábado, maio 08, 2004
  Questão de escala.
Não sobram dúvidas que uma Intriga Internacional, que até há bem pouco tempo eu julgava apenas à escala planetária, tem como ardil a desmoralização do Futebol Clube do Porto.
Senão, reparem bem: tudo começou a 20 de Março de 2003. No mesmo dia em que o F.C. Porto jogava em Atenas contra o Panathinaikos, para a 2.ª mão dos quartos de final da Taça UEFA, rebenta a guerra do Iraque, relegando para a TV2, a transmissão televisiva do importante jogo de futebol. A trama evolui, dois meses depois, a 21 de Maio de 2003. Paulo Pedroso é preso preventivamente no exacto dia da final de Sevilha que viria a dar a Taça UEFA aos Dragões.
Se dúvidas sobravam, elas foram desfeitas, na passada terça-feira, 4 de Maio de 2004. No dia da meia final da Liga dos Campeões entre o Deportivo da Coruña e o FCP, dá-se a libertação de Carlos Cruz, novamente relacionado com o caso "Casa Pia".
Mas alguém se acreditou que os E.U.A. invadiram o Iraque por causa de umas armas, que, curiosamente, jamais foram encontradas? Ou que alguma vez Paulo Pedroso e Carlos Cruz ficariam presos por pedofilia? O escândalo Casa Pia nunca aconteceu! Tudo isto é parte de uma conspiração internacional para retirar protagonismo ao FCP.
O que me preocupa é que, no próximo dia 26, dia da final da Liga dos Campeões, já está preparada uma nova manobra de diversão, que provará que a escala é universal e não planetária, ao contrário do que eu julgava inicialmente. Segundo fontes próximas do Avenida dos Aliados e da TVI, o planeta Terra será invadido por horríveis extra-terrestres verdes, ornamentados com plumas, a cantar repetidamente uma frase incompreensível.
No fim de contas, provar-se-à, que, à imagem dos 3 casos que referi anteriormente, também isto tudo é encenado. Este suposto ataque não passará de uma nova mega-produção do Filipe La Féria, com Júlio César e Anabela no papel de extra-terrestres, em que o refrão que mencionei será qualquer coisa como: "Mayer, Mayer cheiras a perfume de mulher".
P.S.- Sei muito bem que o post é absurdo. Serve, contudo, para provar que não só consigo fazer humor (fraco, por sinal!) com o meu clube, demonstrando um fair-play de fazer inveja, como não é só o Nuno Markl que consegue fazer as piores teorias da conspiração. JRP
 

  Análise.
A verificação das estatísticas deste blog revela factos extraordinários. Descobrimos que já fomos visitados por polacos à procura de informação sobre o arquitecto italiano Marcello Piacentini, por 2 indianos e até por alguém que procurava por, e cito: "desenho do aparelho auditivo".
De facto, são as palavras-chave usadas nos motores de busca que pormenores mais interessantes nos revelam. Assim sendo, as palavras-chave, que mais visitantes conduzem ao Avenida dos Aliados, são: "Alexandra" e "Solnado". Na verdade, estas duas palavras equivalem a 36% de todas as visitas a partir de sites como o Google ou o Yahoo.
Conclusão óbvia: a agenda da Alexandra Solnado é tão preenchida, que Cristo, desesperado por não a encontrar, já se socorre do Google para entrar em contacto com ela. JRP
 

sexta-feira, maio 07, 2004
  Publideia #3
Não foi uma revolução, foi antes uma solução.
- Esta semana e nas próximas e próximas e próximas..., no país do costume. PCS
 

  Publideia #2
"O Homem do apito dourado", brevemente num tribunal perto de si.
- Uma produção, Lisboa Ataca. PCS
 

  Les plus beaux chants sont les chants de revendications

Vasculhar as colecções dos discos e dos livros é reencontrar as referências que cada um guarda de si.
Penso que nunca perdi os pontos de apoio, mas confesso que já não te ouvia há muito tempo, Léo.
Foi na reconciliação da tarde que redimi essa falha. E se no início houve qualquer coisa de nostalgia (não o posso evitar), agora o sentimento é outro, é a vontade de dizer claramente que para mim também não há deus nem há mestre.
Faz bem despertar de vez em quando, para saber bem quem sou. MBP
 

  Correntes de Ar
Já toda a gente sabe que o ministro da defesa esteve doente, com uma gripezinha primaveril, no dia da condecoração da professora Isabel do Carmo. Acho muito bem que tenha ficado em casa, uma gripe pode rapidamente evoluir para uma perigosa pneumonia. Agora... estas coisas é que não ajudam nada, correntes de ar, por muito bem intencionadas (e fraternais) que sejam, devem ser evitadas. MBP
 

  Foi há 59 anos
que os Almirantes Jodl e Friedeburg e o Major Wilhelm Oxenius assinaram, em Reims, a rendição incondicional alemã. A guerra na Europa chegava finalmente ao fim, com o derrube absoluto da Alemanha nazi. Pelo caminho ficaram milhões de vítimas, civis e militares. O velho continente agonizava entre escombros e ossos, mas a festa da vitória justificava-se em todas as cidades dos Aliados.
Por cá, entre a ambiguidade salazarista, muitos celebraram o fim do genocídio nazi, outros, muito oficialmente, continuavam a envergar o luto provocador pela morte do ditador alemão.
Hoje, enquanto tantos insistem em reescrever a História desse regime ignóbil que foi o Nacional Socialismo, parece-me importante recordar e meditar sobre esses anos dramáticos do século XX, para que a brutalidade, a intransigência, o racismo e a estupidez não despertem novamente. MBP
 

  "Sei de quem nunca lá irá pelas minhas mãos".
Estas palavras são retiradas do blog de referência que ontem celebrou um ano de idade. Justificadamente, a blogosfera não deixou de assinalar o facto, multiplicando-se em posts alusivos ao acontecimento. JPP pode não ser uma figura consensual, está até muito longe disso, mas, na minha opinião, é indiscutivelmente uma personalidade independente.
O que me conduz a esta evocação não são, contudo, as suas posições políticas mas, por um lado, o facto de a sua cidade ser o Porto e, por outro, a importância que o Abrupto teve neste meio de divulgação das ideias. A celebração do primeiro aniversário do Abrupto acaba por ser uma celebração dos próprios blogs portugueses, já que este foi, incontornavelmente, a mola propulsora da blogosfera portuguesa. Não quero ser injusto com quem já por cá andava... mas fazer justiça a quem vulgarizou e mediatizou a ideia de manter um "diário de bordo" na net.
Disse também que a outra razão que me levava a escrever era a origem portuense de JPP. E para isso aconselho a leitura de um post, de 25/07/2003, com o título «Uma cidade que se chama “Invicta”», que uma leitora assídua do JPP, de seu nome Joana, definiu como o melhor do Abrupto. É de lá que extraí a frase absolutamente genial, e apenas compreensível a quem é de cá, que dá o título a esta minha divagação. Já agora, não deixem também de ler o post da própria Joana (de quem apenas sei o nick), também ela oriunda do Porto, que deliciosamente descreve a forma como foi descobrindo o encanto da Invicta.
Por tudo isto, obrigado, JPP.
Ainda na semana passada uma mesa de amigos criticou-me por apreciar a independência das análises do autor do Abrupto. Há nomes assim, que, para além de não gerarem consenso, conduzem muitas vezes a uma hostilidade incompreensível. A conversa terminou com um olhar de desdém e o dedo apontado: "És muito JPP a discutir!". Na verdade, senti-o como um elogio. JRP
 

quinta-feira, maio 06, 2004
  Assim não dá...
Acabo de fazer um zapping pelos telejornais. Na SIC o destaque foram as primeiras palavras que a filha mais nova do Carlos Cruz desejava dizer ao pai, quando o visse regressar da prisão: pedir-lhe batatas fritas. Na TVI, destacava-se o aumento acentuado dos estrábicos em Portugal. Pelo meio, ainda vi um poste da PT no meio de uma estrada municipal no Algarve e ouvi o Avelino Ferreira Torres chamar repetidamente à Manuela Moura Guedes "mulher práfrentex" depois de Luís Nobre Guedes o ter gabado como autarca.
E, já agora, quem é aquela louraça que acompanha Paulo Sá e Cunha, advogado de Manuel Abrantes? Não há duvida que é a grande revelação do caso "Casa Pia". Não há cobertura nenhuma de qualquer intervenção do advogado em questão em que a referida louraça não tenha destaque, quer através de planos isolados, quer sempre enquadrada no plano, enquanto o advogado é entrevistado. O que não é de censurar: não só a menina é visualmente interessante, como, durante essas entrevistas, aquelas palavras soam-me sempre como as da invisível professora do Charlie Brown. JRP
 

  Mobilidade do Metro do Porto
A rede de transportes colectivos do Porto tem sido um dos pontos de maior debate e um dos pontos mais críticos na situação geral da organização da cidade.
Partilho do conceito que uma melhor cidade (seja ela qual for) é uma cidade com menos automóveis, com soluções mais racionais para a circulação das pessoas. Neste momento, o Metro do Porto vai-se construindo como sendo uma solução futura para o problema dos transportes urbanos. Ainda haverá muito ou quase tudo para fazer, em todo o caso, aqui vai, a título informativo, o novo estudo de Rui Rodrigues, gentilmente cedido por Carlos Santos, com o fim de propor uma melhoria de mobilidade para o Metro do Porto .
Fica a informação para que possamos acompanhar e comentar o que se propõe melhorar nesta área. MBP
 

  Lembrar os nossos. (4)

"Que diz além, entre montanhas,
O rio Douro à tarde, quando passa?
Não há canções mais fundas, mais estranhas,
Que as desse rio estreito de água baça!...
" - Pedro Homem de Mello
(mais info aqui) JRP
 

  Mais de mil.
19 dias, 53 posts e 1057 entradas depois, temos motivos para sorrir. Está a ser uma experiência extraordinária e cheia de ensinamentos. Chegou a hora de salientar quem nos tem apoiado e divulgado, lendo com atenção o que temos escrito e citando-nos amiúde.
Assim sendo, um grande abraço para o Fonte das Virtudes que se refere ao Avenida dos Aliados como sendo "(...)mesmo muito bom. Um blogue de qualidade, pleno de uma digna altivez portuense que os das baixas latitudes têm dificuldade em compreender. A forte noção de identidade dos do Porto, esta coisa de a cidade nunca ser uma maria-vai-com-as-outras, não é novidade nenhuma. É de sempre(...)". Elogios que retribuímos, não por simpatia, mas por convicção: o Fonte das Virtudes é tudo isto e muito mais.
Destaque também para o musical Via Rápida de insignes figuras da Invicta como Álvaro Costa, Jorge Manuel Lopes (que há alguns anos atrás me chamou de inadaptado, no "Blitz", e de adolescente tardio, na revista "Hey!". Estas coisas não se esquecem...) e de Ricardo Salazar, que indica desta forma o caminho para a Avenida dos Aliados, depois de lembrar um clássico dos Waterboys: "Desces Mártires da Liberdade pela parte pedonal, Escadas do Pinheiro, passas pelo bingo do Salgueiros onde já não está o maluquinho a tocar órgão e atravessa pelas traseiras da Câmara do Porto.... Segues pelo edifício dos correios, viras e segues pela Rua Formosa onde estão dois mikis de madeira a sorrir de braços abertos, numa loja devoluta, como que a dizer: " leva-me, leva-me...." Passas o Bolhão e viras em Santa Catarina. Sente as pessoas... Na baixa do Porto para quando uma nova cidade, com ideias, pessoas e identidade própria... Até chegar a cidade dos homens... http://avenidadosaliados.blogspot.com".
Um abraço amigo e aliado também para o Tiago Azevedo Fernandes do importante e mediático A Baixa do Porto onde o arquitecto Pedro Aroso nos define como alguém que está a "tentar recuperar a auto-estima pela nossa cidade, tão mal tratada nos últimos anos!". De sublinhar também a solidariedade do Golpes de Vista, e da ligação comum ao Universo Tintim, e do Sexo dos Anjos que nos vê como "um novo blogue localista de muito interesse (classe A). É bem feito, bem escrito, empenhado e envolvido na sua comunidade".
Agradecimentos sinceros ainda ao presente A [Minha] Jornada, ao estético Borras de Café, ao tripeiro Hoje Há Tripas, ao amigo Life In A Nutshell, ao diversificado Linha de Rumo, à crítica Loolady, ao "direitista" Nortadas, ao Blog do Gil, aos Portistas de Macedo, ao literário Terras do Nunca e ao orgulhoso Vila do Conde Quasi Diário. Uff! JRP
 

quarta-feira, maio 05, 2004
  A porta, o garfo e o ponto
Talvez a coisa comece com um ponto, obsceno de anotação, estranho à sensatez e à perspicácia humana, sem ter que passar pela interrogação de um garfo perdido aos pés de uma porta. Esta concreta e abandonada, no centro de um universo de mentes esquecidas e sonos profundos.
A metamorfose concretiza-se e os bichos do ar penetram no húmus enriquecido de pegadas de pontos, que surgem da mais banal e absurda negação de um caracol ancião.
A letra em fadiga, perdura no tempo, que teme em avançar.
Controlado pela porta, o medo sente um tremor de sede, e aponta fugidiamente para um ponto, refugiado no cimo de um "i".
Algo se passou de anormal, quando o garfo pendurado em linhas imaginárias saltou e feriu mortalmente a porta, corrompendo assim toda a sociedade à sua volta, permitindo abusos por parte de minorias abstractas, dadas a revoltas imaginárias.
Furtando-se a todas as convenções clássicas, de uma humanidade de actos imprevisíveis, a porta caiu por terra, levantando consigo pó de micróbios.
O garfo suicidou-se, levando à ruína toda uma inteira e perfeita sociedade anormal.
O ponto não resistiu à sua desintegração, levando ao fim um universo imaginário, apenas concreto em pensamentos. PCS
 

  Mais uma vez: "Obrigado, Porto"
Acabo de chegar molhado de uma longa espera. Aguardei pacientemente, acompanhado por uma multidão igual a mim, pela chegada dos filhos do Dragão.
Por momentos, lembrei-me do Dias da Cunha e da patética análise sistémica, do Scolari e da sua aversão à nossa cidade, do Rui Rio e da lição que este deveria aprender com o "ayuntamiento" da Coruña, do António Cancela, do António Fidalgo e do José Marinho e todas as análises obcecadamente anti-portistas, do Treinador do Celtic, do Liedson, do Malheiro... mas rapidamente, o pulsar nervoso do meu coração apontou-me os sorrisos à minha volta, a euforia ilimitada e o orgulho na "funda de David".
Os minutos caíam como as gotas de chuva, primeiro na Avenida dos Aliados, depois junto ao Dragão. Comigo esperavam, saltavam e cantavam milhares de pessoas enquanto a chuva polia o nosso brilho granítico. No chão, o barulho da morrinha tripeira fazia ecoar as palavras finais de um livro: "Que ninguém diga irrepetível!"



Para nós, Derlei, tu também fazes parte das estrelas. E quando a chuva passar, através da janela do meu quarto, contarei quantas temos no céu. Depois de fechar os olhos, mesmo antes de adormecer, murmurarei: "Obrigado". JRP
 

terça-feira, maio 04, 2004
  Aguardando o Confronto
É daqui a um momento. A bela Corunha receberá o Porto. As poses defensivas ou espectantes são apenas ilusões, não é para a guerra que se preparam, mas para um confronto apaixonado. Apesar de tudo, a escolha não me é difícil, pertenço ao Porto, apesar de amar a Corunha.



Dê por onde der, o resultado será sempre azul. MBP
 

  Corpo da Guarda.
No post relativo aos estudos de Marcello Piacentini, para uma intervenção no eixo Avenida dos Aliados/Ponte D.Luís, referi o morro do Corpo da Guarda ou da Cividade. Era incontornável que assim o fizesse, dada a posição geográfica deste, na ligação entre os dois elementos referidos. Como alguns leitores revelaram desconhecer a fisionomia do local antes da intervenção, decidi aqui incluir uma fotografia anterior à abertura da Avenida Afonso Henriques.



A imagem permite visualizar a parte Sul da Praça Almeida Garrett, antes das demolições do final da primeira metade do século XX. À direita, temos oportunidade de observar as esquinas agudas que separam a Rua das Flores da Rua Mouzinho da Silveira, com o edifício que se celebrizou através do anúncio vermelho: "Vestir bem/e barato/só aqui", e a esquina da Rua Mouzinho da Silveira com a Rua do Corpo da Guarda, que ainda lá hoje estão. Hoje em dia, contudo, a última rua mantém apenas as fachadas do lado ocidental, dado que o restante desapareceu com o esventrar deste espaço. Esta cicatriz, a que eu aludi no referido post, devassou um espaço continuado do centro histórico do Porto e "guettizou" as Ruas do Loureiro, de Cimo de Vila e Chã, que se viram separadas do tecido urbano a que pertenciam. Será esta uma provável explicação para o clima de prostituição, contrabando e marginalidade que habitam os locais referidos?
Não quero que interpretem as minhas palavras como uma prece à museificação dos Centros Históricos. Aprendi, com quem me ensinou, que as cidades são espaços de evolução (ou será de Revolução?) e permanente transformação, e que estas devem ser vividas e não apenas contempladas. O que me perturba nesta área foi a inexistência de soluções ao longo de 60 anos, ainda que tenham sido feitos dezenas de estudos, como nos mostra exemplarmente o livro editado pela CMP, em 2001: "A Ponte e a Avenida". JRP
 

  H Mudo
Antigamente chamavam-lhe Abu Graib, agora é Abu Ghraib.
Não tenho transcrição fonética para a minha indignação. MBP
 

  Estilhaços

de lettres comme d'un reliquaire
de la cendre des nombres, de
ce corps de mots
qui se transfigure
des choses
de la sagesse étoilée
comme de la mort, ressuscite
ressuscite maintenant
Mot incirconscriptible

Daniel Turcea (trad. Anca Vasiliu)

Para mim a poesia não fica completa neste tipo de formato. Faltam-lhe os outros sentidos, o paladar do papel, tocado ao de leve pela boca dos dedos.
Mas hoje é excepcional, derrubei uma certa reserva e deu-me para ousar o discurso ensimesmado. Discurso estranho pela partilha quase tão directa, quase impudica.
Tudo porque arrumava a minha secretária e deparei-me com um bloco de papel de carta e um macinho de sobrescritos novos. Não escrevo (não manuscrevo) a ninguém desde Dezembro. Os amigos regressaram, os que não regressaram já não têm morada e recebemos de volta a nossa própria carta, com a indicação “já não mora aqui essa pessoa”.
São assim os nós na garganta que não podemos desapertar à noite. MBP
 

segunda-feira, maio 03, 2004
  Marcello Piacentini
(1881-1960). Logo no primeiro post que escrevi, prometi apresentar mais detalhadamente o arquitecto/urbanista italiano Marcello Piacentini que esteve envolvido em projectos de transformação urbana, em pleno centro da Invicta.
Piacentini foi, indubitavelmente, em Itália, um dos nomes maiores do urbanismo modernista e foi o equivalente italiano de Albert Speer, o arquitecto de eleição de Adolf Hitler, que o incumbiu da construção da Germania, a nova Berlim. Esta obra, desejada pelos nazis, visava superar em beleza a rival Paris, reconstruindo Berlim, com recurso a grandiosas obras arquitectónicas (gigantescos Arcos de Triunfo ou Cúpulas colossais, entre outras). O arquitecto romano, responsável por edifícios mundialmente reconhecidos como o Palácio da Justiça de Milão, representa o espírito modernista monumental, que caracterizou as transformações nas cidades alemãs e italianas, durante o domínio de Hitler e Mussolini, de quem Speer e Piacentini eram amigos, respectivamente. Esse monumentalismo, forma de dignificar a capital de um império através do uso de soluções barrocas como o "grande eixo" ou a perspectiva, foi parcialmente levado a cabo em Roma, com os iniciais arranjos para a Exposição Universal de 1942, que jamais tomou lugar dado o despoletar da II Guerra Mundial.



No Porto, Piacentini (fotografia da esquerda) funcionou como consultor urbanista, tendo enviado 2 colaboradores à nossa cidade, e, ainda que jamais tenha concluído o seu trabalho, concordou, inicialmente de forma entusiástica, em elaborar um plano de urbanização. Uma das 4 propostas de 1939, para o eixo Avenida dos Aliados/Ponte D. Luís (para ver projecto mais detalhadamente carregue na imagem da direita), incluía, entre outros arrojos, o desaparecimento da chamada Casa das Cardosas, fachada Sul da Praça da Liberdade, em detrimento de 4 edifícios em altura, permitindo uma ligação directa da Sé ao topo da Avenida dos Aliados.
Se por um lado, com a não concretização deste projecto, se preservaram alguns elementos históricos fundamentais na compreensão da história urbana do Porto, por outro, a cidade permaneceu com uma cicatriz acentuada que dá pelo nome de Avenida D. Afonso Henriques, vulgarmente conhecida como Avenida da Ponte. Esperemos que a solução, actualmente em desenvolvimento, com a chancela da Metro do Porto possa reparar um erro com mais de 60 anos: o esventrar do morro do Corpo da Guarda ou da Cividade, como também é chamado. JRP
 

domingo, maio 02, 2004
  Io voglio una donna!!!
Rendi-me ao consumismo. Gastei uma "pipa de massa" na Fnac de Santa Catarina, ontem à tarde. Finalmente, comprei em DVD o Amarcord e o Manhattan para além de mais uma pilha de livros. Depois, em direcção ao carro, Passos Manuel acima, parei na Casa das Tortas. São cerca de 120 anos de pastéis fabulosos. Tudo começou com umas tortas pequeninas, tipo empada, ainda no final de oitocentos, que, mais tarde, foram ganhando a morfologia do Pastel de Chaves. Para além do sabor indescritível, a simpatia do atendimento e a companhia de algumas personagens características da nossa cidade, aqueles pastéis tornam ciência a equação "Subir a Rua de Passos Manuel = Aumento do Colesterol". JRP
 

Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.
A Praça Nova está de volta!
Que trema o país...
Blog gerido por Jorge Ricardo Pinto (JRP) e Mário Bruno Pastor (MBP). Qualquer dúvida, insulto, comentário ou tentativa de extorsão, contactar: aliados.blog@portugalmail.pt

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