Avenida dos Aliados
Post It!
Aqui vão duas sugestões musicais do
Avenida dos Aliados, para logo à noite.
Numa vertente mais rock, os portuenses
X-Wife, do nosso velho amigo Rui Pereira, vão estar no
Hard Club, em Vila Nova de Gaia, a partir das 23h. Apesar de sermos suspeitos, dada a cumplicidade, aconselhamos vivamente a quem ainda não conhece a banda portuguesa do momento.
Num espírito de maior resistência, mais uma dica tripeira: José Mário Branco, companheiro apreciador das Tripas do restaurante "
A Abadia do Porto", no
Coliseu do Porto, pelas 22h.
Qualquer que seja a escolha, estaremos seguramente bem acompanhados.
JRP
Georges Remi.
Quando era miúdo, todos os meus amigos da escola preferiam o
Astérix. Eu não. Ainda que a Bd de
Goscinny e
Uderzo me fascinasse, a minha preferência sempre foi pelas
Aventuras do Tintin.
Inicialmente, foi o espírito de Aventura aliado à permanente movimentação geográfica. Depois, a teia política, as insinuações xenófobas, as referências aos Balcãs. Mais tarde, a questão psicanalítica, com a estranha relação com o sexo feminino e com o universo tipo "Lolita", versão criança chinesa: o
Tchang.
O tempo e as leituras de
Serge Tisseron ou
Benoît Peeters ajudaram-me a descobrir os mil e um caminhos de
Tintin que, de simples jovem aventureiro, se transformou num expugnar de segredos, pecados e frustrações do seu autor
Georges Remi ou, como se auto-intitulava,
Hergé.
Decidi, por isso, incluir aqui, periodicamente, as minhas vinhetas preferidas das Aventuras de Tintin. Pretensão ousada e subjectiva.
Comecei por aqui, uma oval e a última vinheta de um álbum: "
Tintin no Tibete". Apesar de ser minha intenção comentar cada uma das minhas escolhas, desta vez, talvez por ser a primeira ou talvez por não ser necessário, não irei tecer grandes considerações. Autores prestigiados enveredaram pela exploração do branco da neve, enquanto busca pela pureza, outros pela densidade pelosa do Yeti, em primeiro plano, centrando a análise na masculinidade, outros ainda em diferentes explicações "ovais". Limito-me, numa visão mais prosaica, a entender que a vinheta representa a nostalgia de uma partida sem dizer "Adeus" e, contextualizada, a dor da perda de alguém querido.
Na verdade, para mim, simboliza uma parte da minha própria vida. É inevitável... interiormente não consigo deixar que a arte seja mais que a minha autobiografia. O meu egocentrismo não tem limites.
JRP
Água
No passado Domingo, antes do jogo FC Porto - Alverca, dei uma espreitadela ao lugar do antigo Estádio das Antas. Pouco ou nada resta daquela que foi a minha segunda casa durante anos a fio. No dia em que nos despedimos a primeira vez "das Antas", mal cheguei a casa, escrevi um poema que intitulei "
Água". Agora que somos de novo campeões, gostaria de o deixar aqui, como a minha memória do "nosso" Estádio das Antas:
ÁGUA
Estavam sempre enrugados os dedos da minha mão.
Arrepios pela espinha, de dentro para fora, de fora para dentro...
Corre mais uma gota pelo meu casaco (são mais que muitas...)
"
Vou ter saudades tuas..."
Salto. "
Porquê?"
Salto e subo as escadas. "
Porquê?"
Salto e levanto-te ao céu. Abraço-te e molho-te. Escorre sobre mim.
"
A minha casa, a minha cadeira, o meu lugar, a minha gota de chuva..."
Não quero partir mas só olho para trás.
"
O NOVO..." (que novidade...)
"
O MAIOR..." (que grande...)
"
O MELHOR..." (que bom...)
Chove e chove e chove
e a água ao longe é azul
e a água bem perto enruga-me o corpo.
(Já vos disse que estou a ficar velho?)
Onde estão todos vós? (em letra pequena é claro...)
Antigos residentes das bancadas de pedra.
Para onde vamos todos Nós? (que a letra grande é muito digna...)
Caminhantes sábios do futuro…
Construímos, glorificamos, decaímos, derrubamos e construímos!
(E não é que choveu à saída?)
No meu túmulo, não quero uma lápide de mármore...
Eu quero o betão das Antas!!!
Dez 2003 JRP
Demolir para construir.
Num
post anterior, comparei a cidade de Chicago com a nossa Invicta, na transição do século XIX para o século XX. Proponho agora o contraste entre Paris e a cidade do Porto, novamente no século de oitocentos. Vamos então viajar no tempo e no espaço...
Na primeira imagem, estão documentados os trabalhos do "
grand démolisseur": o Barão
Georges Haussmann. Paris era, à entrada da segunda metade do século XIX, uma cidade perigosa, quer em termos de marginalidade quer em termos de higiene, sobretudo devido ao abrupto crescimento demográfico urbano, com o eclodir da Revolução Industrial. Desta forma, o município pariense determina um conjunto de acções que visavam sobretudo renovar os bairros insalubres, isolar e valorizar os grandes edifícios públicos, abrir a cidade histórica às grandes avenidas e facilitar a circulação dentro e para fora da cidade. A fotografia, de meados do século XIX, mostra-nos as obras de abertura da
Avenue de la Opera, às custas de edificações e arruamentos pré-existentes.
No Porto, um pouco mais tarde, deu-se também a "
Haussmannização" da cidade. Foram abertas ruas largas, como a de Mouzinho da Silveira, construíram-se acessos ferroviários, como a Estação de São Bento e, ainda antes, a estação de Campanhã ou levantou-se o edifício da Alfândega, em plena praia de Miragaia, entre outras medidas. A segunda imagem, do final de oitocentos, apresenta-nos exactamente as obras de demolição do Convento de São Bento de Avé Maria, no lugar onde viria a nascer a estação de São Bento, permitindo-nos ainda contemplar, ao fundo, a Rua da Madeira e a presença de chaminés industriais, em plena baixa. Assim sendo, faço de novo a pergunta: Contrastes ou semelhanças?
JRP
Bayreuth, outra vez.
"
Sempre que eu ouço Wagner, apetece-me logo invadir a Polónia". A frase, para não variar, é de
Woody Allen e remete-me obviamente para o
post anterior do aliado
MBP. É que sempre que eu ouço
Luís Represas, o último artista a actuar no
Rock in Rio Lisboa, apetece-me logo fugir do país.
JRP
Fica em Bayreuth, carago!
O JN publicou hoje este
comentário sobre uma sondagem efectuada há cerca de um mês, na qual se constatou que cerca de metade dos portugueses não sabe onde fica a
Casa da Música.
A meu ver esta sondagem revela que a velha tradição portuguesa do analfabetismo continua bem viva, agora mascarada de iliteracia; revela ainda que a centralização provocou danos irreparáveis na mente dos inquiridos, pois demonstraram ser incapazes de perceber que há vida fora da capital.
Ao mesmo tempo, um em cada dois portugueses diz querer assistir a essa afronta musical que é o
Rock In Rio.
Será que a metade que pretende ir ao coiso em Rio é a mesma que não sabe onde fica a Casa da Música?
Como as sondagens foram feitas pelo telefone, não posso adiantar que este total desprezo pela música se deva à surdez, penso que é apenas um problema de pequenez.
MBP
Este é o meu Porto.
Como o vi enquanto descia o dia, à maneira de
technicolor desusado, sempre solene nessa aridez de outubro onde só fecunda a nostalgia.
MBP
Lembrar os nossos. (3)
"
Não nasci por acaso nestas pedras
mas para aprender dureza,
lume excedido,
coragem de mãos lúcidas.
Aqui no avesso da construção dos tempos
a palavra liberdade
é menos secreta.
Anda nos olhos da rua,
pega lanças aos gestos,
tira punhais das lágrimas,
conclui as manhãs.
E principalmente
não cheira a museu azedo
ou musgo embalado
pela chuva da boca dos mortos.
Começa nos cabelos das crianças
para me sentir mais nascido nestas pedras.
Porto
- cidade de luz de granito.
Tristeza de luz viril
com punhos de grito." -
José Gomes Ferreira.
(Mais info
aqui)
JRP
Carteiro
Devido a problemas com a nossa antiga caixa de correio electrónico, resolvemos mudar de morada. Agora, sempre que nos desejar insultar, ajudar, questionar, oferecer bilhetes para as meias finais da Liga dos Campeões, na Corunha, ou simplesmente enviar toda a lista de envolvidos no escândalo
Casa Pia, faça-o para
aqui.
JRP
Papa-prémios
Historicamente Portugal ignora sempre os seus principais valores. Gostariamos aqui de destacar um homem que tem trazido para Portugal alguns dos principais prémios sócio-políticos internacionais, falamos de
Coito Pita. O deputado madeirense do PSD está em vias de receber o seu
segundo prémio internacional após a sua intervenção, no dia de ontem, na
Assembleia Regional da Madeira. Sempre desprezado pelas mais altas instâncias sócio-políticas portuguesas,
Coito Pita candidata-se ao prémio de "
Actuação Mais Imbecil do Ano", atribuída anualmente pela
AIM (Associação dos Imbecis do Mundo), após ter intencionalmente atirado para o chão um cravo, durante a sessão de celebração do 25 de Abril, como noticia a TSF
aqui. Recordamos ainda que, já no Verão passado, Coito Pita havia vencido um conceituado prémio internacional, atribuído pela mesma
AIM. Nesse caso,
Coito Pita venceu o prémio de "
Nome Mais Idiota e Ofensivo do Ano".
Coito Pita, num acto de grande humildade, resolveu alterar o seu nome político para Coito Martins já que, segundo
Coito Pita confidenciou ao
Avenida dos Aliados, "
não é preciso estarmos a esfregar as nossas medalhas na cara dos cubanos".
JRP
Concorrência desleal.
O jogador camaronês Rodolph Douala, da União de Leiria, interpôs uma acção em tribunal contra Alexandra Solnado. Os motivos prendem-se com a badalada relação de exclusividade desta com Jesus Cristo. Douala, de 25 anos, alega que os critérios que levaram Jesus Cristo a escolher Alexandra Solnado como sua interlocutora em Portugal também se aplicam ao jogador: "
Os senhores reparem, eu também não sou católico, também moro perto de Fátima, dado que a minha residência é em Leiria, e também sou filho de Raúl Solnado", disse à
Lusa, visivelmente irritado, o jogador de fé muçulmana. Recordamos aos nosso estimados leitores que Alexandra Solnado justificou a escolha de Jesus Cristo pela sua pessoa com o facto de ela não ter religião, de morar perto de Fátima e de ser filha de Raúl Solnado, pelo que teria acesso facilitado aos órgãos de comunicação social.
A polémica, segundo apurou o
Avenida dos Aliados, terá começado ainda antes dos primeiros contactos de Jesus Cristo com Alexandra Solnado, como nos confidenciou o empresário do jogador: "
Quando soubemos da vontade do Senhor em se fazer comunicar, tudo indicava que Douala seria o eleito dado morar muito mais perto de Fátima que essa Senhora Dona Alexandra. Além disso, o Douala tem um pré-contrato assinado com o São Pedro."
O caso promete aquecer a opinião pública, sobretudo a partir da revelação sobre o verdadeiro pai de Douala. "
Minha mãe era muito nova e foi apresentada ao meu pai, através de um senhor Cruz, já em Lisboa", afirmou Douala, enquanto uma lágrima escorria pela sua face, acrescentando ainda que "
minha mãe foi obrigada depois a viajar para os Camarões, país onde eu nasci". Ricardo Sá Fernandes, advogado do jogador Leiriense, confirma as pretensões do jogador: "
É um caso claro de concorrência desleal. Estamos seguramente a falar de tráfico de influências". Soubemos ainda que se aponta já o dedo a alguns suspeitos, entre os quais São Valentim que estará em parte incerta. Teme-se inclusivamente a impossibilidade de realizar o Dia dos Namorados, em Fevereiro próximo, caso se confirmem as suspeitas.
JRP
F de festa, F de futuro
A nossa festa é assim... feita pelos anónimos: os filhos do Dragão.
O povo sai à rua no dia da Liberdade e festeja os feitos do clube que mais vezes ganhou na democracia. Alguns, provavelmente saudosos dos estandartes de outros tempos, destilam inveja através e com o apoio da comunicação social: levantam suspeitas, distraem a opinião pública, omitem verdades. Ainda assim, o povo sai à rua, para respirar liberdade, para gritar pelo Porto, para sonhar com o futuro. Eu acredito!
JRP
Abril
Porque hoje ainda é Abril, não posso deixar de falar na Revolução, nos seus trinta anos.
Não posso deixar de saudar a coragem daqueles que fizeram o
25 de Abril, os militares, o povo, todos nós.
Mas também porque hoje ainda é Abril, não consigo deixar de falar nos nossos dias sem memória, onde o discurso é de relativismos e subjectividades vazias, onde o protesto se mistura com a ignorância, onde as superstições, as crendices e tantas outras velharias parecem ter tomado de assalto a nossa idade. Esta idade onde a indignação é respondida com a condescendência bem alimentada dos
evisionistas de serviço, esses que dos seus gabinetes mandam espalhar pelas ruas a tacanhez do seu pensamento e a mediocridade da sua visão.
Abril tem que continuar a ser feito, é urgente reatar a memória com a História, para que se entenda que a Revolução existe e só faz sentido se a cumprirmos. É urgente perceber que a evolução não é algo que nos é dado pelo tempo, é preciso construir a evolução, todos os dias, e essa construção chama-se Revolução.
MBP
Ontem e hoje.
Ontem o dia foi azul. Obrigado F.C. Porto pelas alegrias que nos proporcionas. Hoje o dia é vermelho. Mais uma vitória da Ferrari, Schumacher é um rei.
PR
Valor, Mérito, Lealdade.
Obrigado por honrares como poucos o nome do Porto e do Norte, neste país que raramente consegue perceber a dimensão da nossa grandeza.
Sempre do teu lado!
JRP
Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.