Ainda as Pontes

Ponte D. Maria Pia, gravura de R. Cristino, 1877
Mais um aniversário, mais uma ponte.
Faz hoje 127 anos que esta obra de arte, projectada pelo afamado Eiffel, foi inaugurada.
Foi nesse remoto 4 de Novembro de 1877 que a cidade do Porto viu a sua primeira ponte ferroviária (e a primeira ponte rígida sobre o Douro) concluída.
As margens encheram-se de gente para celebrar o evento. A família real, D. Luís I, a esposa D. Maria Pia e o velho D. Fernando (pai de D. Luís), deram o mote aos festejos atravessando de comboio a nova ponte… Mas como a monarquia já tremia um pouco, D. Luís achou por bem esperar que um primeiro comboio passasse sobre a ponte para fazer um pequeno teste. A ponte resistiu e a realeza sentiu-se segura para avançar e dar início a mais girândolas, foguetes e filarmónicas.
No acto de inauguração, D. Fernando teve a germânica cortesia de abdicar do nome proposto para a ponte, que seria o seu – Fernando II, e ofereceu a honra à sua nora, a ainda jovem rainha Maria Pia.
Ainda se fizeram mais festejos, salvas de tiros, bailes e ceias. A rainha, caridosa, distribuiu patacos pelas mãos dos pobres, esmolando um pouco de popularidade e disfarçando o desemprego que o final das obras trouxe a diversos lares.
Cerca de 110 anos mais tarde, recordo-me de atravessar a ponte, em compasso lento, cheio de ansiedade e medo, os ecos do fontismo iam já muito longe e não havia girândolas para queimar.
MBP