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Avenida dos Aliados
quinta-feira, setembro 16, 2004
  Solução para o Enigma 5.
A Capela de Nossa Senhora da Saúde, na Rua do Heroísmo, no Porto.

Chegou finalmente a hora de expôr a verdade sobre o misterioso Enigma 5. Antes de mais, parabéns à leitora Ziza por o ter decifrado praticamente na totalidade.
Já afloramos com assiduidade a questão do esquecimento incompreensível a que os antigos cruzeiros do Porto foram votados desde a sua remoção das ruas da Invicta em 1869 (aqui, aqui, aqui e aqui). Diga-se, aliás, que, mesmo na altura, o retirar destas ornamentais peças de culto foi móbil de protestos e que a sua posterior colocação em cemitérios ou Igrejas foi lenta e muito maldosa para a integridade física dos ditos cruzeiros.
O Senhor do Padrão de Campanhã, a que este Enigma 5 se refere, ficava na antiga estrada para a freguesia mais Oriental do Porto, estrada essa que partia da Praça da Batalha e se subdividia em duas em São Lázaro: uma seguia para Valongo, a "estrada do Pão", por Bonfim e São Roque da Lameira, e a outra seguia para o esteiro de Campanhã ("Para Oriente vi-te passar, rumo à rima de amanhã."), a "estrada de Campanhã", por Reimão, Heroísmo e Freixo.
O Cruzeiro do Senhor de Campanhã era um dos cruzeiros que marcava esta segunda estrada e que estaria inicial e aproximadamente no Largo Soares dos Reis, no início da Rua do Heroísmo ("Estive na Rua da Coragem"), junto ao lugar onde se viria a construir a entrada principal do cemitério do Prado do Repouso ("na travessa do descanso"). Mais tarde, o cruzeiro seiscentista foi dali retirado tendo passado para um alpendre na Rua da Formiga ("Na Formiga sobre o Alpendre") que, na altura, seria um pequeno núcleo rural afastado do centro da cidade do Porto, mas que hoje, e sobretudo após a chegada do comboio a Campanhã ("se o apanhares lá em baixo... Então nunca mais te alcanço."), se viu incluída nesta. Finalmente, após este acidentado percurso, o cruzeiro do Senhor do Padrão de Campanhã passou para o interior da Capela da Senhora da Saúde, construída em 1810.
Aquando da remoção em massa dos Cruzeiros, a 1 de Junho de 1869, muitos foram aqueles que protestaram e que inclusivamente roubaram cruzeiros para os colocar no seu quintal. A vontade enérgica da edilidade em retirá-los da via pública conduziu a que se fechassem os olhos a estes indignos furtos. O objectivo da Câmara era possibilitar a circulação fácil na via pública retirando obstáculos que a dificultassem e evitar que estes cruzeiros funcionassem como urinol, numa prática infeliz da época por alguns portuenses menos cumpridores.
Diga-se, em abono da verdade, que nem todos teriam esta atitude tão pouco digna perante objectos com tal carga histórica, religiosa e emblemática. A 3 de Maio, dia da Santa Cruz, os cruzeiros eram decorados com flores e as festas em torno de cada um deles tomavam por vezes dimensões assinaláveis com romarias e fogo de artifício.
Há ainda histórias em torno de defensores intransigentes dos cruzeiros, sabiamente contadas por Sampaio Bruno, que se teriam acorrentado às cruzes para que estas não fossem removidas e memórias dos trovões irados vindos dos céus que ribombaram naquele mesmo primeiro dia de Junho.
Hoje em dia, estas peças que ajudaram a definir os arruamentos e praças do Porto, que são parte sólida da história desta cidade estão ou esquecidos ou maltratados. Salvou-se o Senhor do Padrão de Campanhã que, provavelmente com a força de um daqueles trovões de Junho, vai decorando imponentemente o altar principal da Capela da Senhora da Saúde na Rua do Heroísmo. JRP

 

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