Alph-Art.
Como sabem, a influência de Hergé em mim é absolutamente avassaladora. Acabo de terminar a leitura difícil e imperfeita do álbum incompleto do génio belga da BD,
Tintin e a Alph-Art,
finalmente editado pela Verbo, e reencontro-me também entre projectos, ideias, sonhos e inimizades inacabadas.
Enquanto me debato com as minhas próprias dúvidas e incertezas, visto a máscara de autor desaparecido tragicamente, à imagem de Hergé, nunca tendo, por isso, finalizado
Tintin e a Alph-Art, e apresento de forma póstuma o post que deveria ter publicado no passado sábado:
O que eu nunca farei.

Projecto Almadino para uma Praça (B) a meio da Rua 31 de Janeiro(A). Desenho de Teodoro de Sousa Maldonado, em 1789, de um projecto nunca executado.
O sono, a preguiça e a falta de inspiração impedem-me de dissertar sobre a imagem. Limito-me, por isso, a deixar a minha mente percorrer o raciocínio tonto e confuso que me persegue.
Amanhã, que no fundo é já hoje, tentarei subir mais um degrau na escalada tortuosa a que me propus. Incontornavelmente, a vida é feita de projectos, muitos deles inacabados, como aquele que a imagem revela.
No final do século XVIII, lê-se na planta a intenção de construir uma ambiciosa praça quadrada no íngreme declive de 31 de Janeiro. Lá em cima, a Igreja de Santo Ildefonso (F), na altura defronte da antiga Capela da Senhora da Batalha (G) e ao lado da Rua de Santa Catarina (H), espreita desconfiada a execução da obra e pisca o olho, em tom sorrateiro, à sua amiga Torre dos Clérigos, que descansa ainda jovem do outro lado do vale do Rio da Vila.
Não restam dúvidas... perante um desafio importante, recordo-me de insucessos passados. Sou um optimista crónico.
Na verdade, não foi a minha morte, mas a falta de qualidade do post e a preguiça de o substituir condignamente que me impediram de o publicar.
Escondo-me agora na pele do imortal Georges Remi e publico a minha versão Alph-Art, também ela inacabada, ilógica e sensaborona, num acto claro de procura rápida de expurgar segredos, pecados e frustrações antigas,
tal qual Hergé ao longo da sua obra.
Ah... se viver fosse tão fácil como escrever num blog...
JRP