Caso de polícia.

A arte pode ser uma experiência surpreendente.
O Porto é marcado por um conjunto absolutamente impressionante de edifícios neoclássicos, cuja origem deriva sobretudo da influência britânica na cidade, durante o final do século XVIII e em todo o século XIX.
O Neopalladianismo Britânico, vertente neoclássica com maior importância na Invicta, é introduzido no Porto através do Hospital de Santo António, obra de John Carr, arquitecto britânico de vanguarda que, entre outras obras, foi difundindo a morfologia “Crescent” pela Grã-Bretanha (a este propósito ver este
post). Esta vaga de arquitectos ingleses acaba por se justificar pelas intensas relações de amizade entre o Presidente das Obras Públicas e John Whitehead, cônsul inglês no Porto e também ele arquitecto amador. Este Neopalladianismo britânico teve tal impacto e proliferação na cidade após a construção do Hospital de São António, que há autores que lhe atribuem um carácter próprio designando este estilo como a arquitectura do “Port-Wine”, dada a origem do financiamento residir no Vinho do Douro e nos arquitectos ingleses. O NeoPalladianismo é a vertente britânica do Neoclássico, sustentado numa recuperação dos escritos do arquitecto italiano da Renascença Andrea Palladio.
Para além da obra a que já aludimos, o Neopalladianismo acabou por se afirmar através de obras como a Real Feitoria Inglesa, o Palácio dos Carrancas, actual Museu de Soares dos Reis, o Palácio da Bolsa, a Academia Real das Ciências, actual Faculdade de Ciências (ainda que as duas últimas tenham sido feitas num período posterior) ou na quase totalidade dos edifícios da Rua de São João. A comunidade britânica do Porto, em particular figuras como John Whitehead, impõem, desta forma, um pouco do sentimento urbano britânico no Porto, dinamizando, durante um determinado período de tempo, o desenho de algumas das principais fachadas da cidade. É o que acontece com este fabuloso exemplar que se destaca na judaica rua de Nossa Senhora da Vitória.
Não deixa de ser surpreendente que o edifício que em tempos foi o primeiro Liceu Central do Porto e serviu, mais tarde, como Posto Central dos Correios seja hoje cavernosamente decorado por um conjunto de caixotes publicitários à Sanyo. Assim se misturam as eras... entre o frontão, a simetria neoclássica, mezaninos e janelas de guilhotina, o ar condicionado modernista enferrujado remata com brilhantismo, adoçado pela presença de câmaras de vigilância, a fachada deste nobre edifício, em pleno Centro Histórico do Porto, classificado como Património Mundial.
A obra realizada numa rua com mais de 600 anos, na antiga judiaria do Porto, ordenada por D. João I, tem a chancela da... Polícia Judiciária.
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A polícia judiciária informa que fugiu de sua casa o cérebro da PJ, algures durante o século XX. O fugitivo vestia calças de ganga e t-shirt branca e sofre evidentemente de perturbações mentais."
JRP