Avenida dos Aliados
Às Urnas, Cidadãos
Amanhã vamos todos tentar o golpe de asa que inverta este marasmo.
Como hoje ainda é dia de reflexão, sugiro um passeio pela
Baixa do Porto, pausado e bem digerido, para que não nos afundemos outra vez.
MBP
NADA#2

O ritmo de publicação tem sido realmente lamentável, mas pior do que isso é a qualidade dos textos.
Mas enfim, para manter um pouco o ritmo, vou aproveitar para informar que hoje é o último espectáculo da peça
NADA#2, levado à cena pelo
Teatro Plástico no palco do Pequeno Auditório do Rivoli.
A peça foi escrita por Edward Bond, traduzida por José Paulo Moura e encenada por Francisco Alves.
As representações estão a cargo de João Paulo Costa, Glória Férias e Nuno Simões.
Para fazer uma pequena abordagem à peça, devo dizer que quem ainda não a viu, não viu nada. É absolutamente imperdível.
Para ter uma ideia do que vos espera, deixo aqui uma deixa ilustrativa do mundo claustrofóbico e policiado que vos espera, um mundo amnésico, sem individualidade e atingido pela pandemia do suicídio em massa:
A autoridade teve razão em abolir o passado. Em se livrar dele. Vídeos, cassetes, discotecas, ponto com, lixo. As pessoas estavam fartas disso. Passou a ser um passatempo comprar um carro novo, sair com ele do stand e estourá-lo contra uma parede. O que hão-de as pessoas fazer quando já têm tudo? Um dia suplicam-vos que lhes tirem tudo. Em vez disso querem paz. É por isso que se agarram às novas colónias – é por isso que é fácil esquecer.
Hoje, no PA do Rivoli às 22:00 horas.
MBP
Começar de novo
Ao fim de duas jornadas futebolísticas é um pouco precoce começar a tecer comentários, mas, ainda assim, não deixa de ser curioso o facto de o grande campeão nacional começar, pouco a pouco, a revelar a fraude que é.
O novo passo na exposição da fraude será na Liga dos Campeões Europeus, não será difícil imaginar a vergonha do SLB já no próximo jogo. Como nunca fui muito de apostas, sobretudo dentro da forma organizada que se está a instalar em Portugal, não apostarei, mas fica o pensamento muito pessoal: «o Benfica é um Durão Barroso do futebol».
MBP
Um campeonato ao gosto de Hollywood

É um campeonato que merece de facto esta gala de encerramento. Muita ribalta, luzes, projectores e um leque bonito de nomeações, desde o guarda-roupa até ao ambicionado título de melhor actor ou actriz. O guião foi cumprido à risca, mas a realização foi sofrível. A nomeação para os melhores efeitos especiais é meramente simbólica, pois é fácil detectar os fios de pesca no décor, embora na magia do cinema isso possa passar para segundo plano e o que importa é criar um ambiente de ilusão onde os escolhidos possam brilhar e deixar sonhar as massas.
As representações também não foram boas, acanastradas na maior parte das cenas, mas ainda assim o suficiente para termos festa.
Só espero que daqui por 11 anos, quando organizarem a nova gala, o façam noutro lugar qualquer, pois há coisas que não deviam ser descentralizadas.
MBP
31 Anos
E os olhos ainda nos brilham com o deslumbramento da liberdade. MBP
Um Ano Depois
Faz hoje um ano que nasceu oficialmente o Avenida dos Aliados. Julgo que poderíamos dividir este primeiro ano de existência do Avenida em dois períodos distintos: os primeiros seis meses, de grande actividade, muito empenho e dedicação do JRP, e os últimos seis meses, de pouco actividade e praticamente de anemia bloguística da minha parte. Anemia tamanha que me leva apenas agora a redigir uma nota elogiosa à inauguração oficial da Casa da Música, esse espaço de ar fresco e referencial cultural que a nossa cidade já merecia há muito tempo.
Ao mesmo tempo, vi hoje que uma das referências jornalísticas de Portugal continua a tradição de seriedade e sentido de oportunidade com que nos tem brindado ao longo dos anos, informando-nos, com um misto de cartomancia e de redacção precoce, sobre o futuro dos actuais Campeões Nacionais e Europeus. Ouvi também, ainda hoje, outros pilares da informação do país referirem-se ao grande azar do SLB, por não ter conseguido vencer, ontem à noite, o União de Leiria, transformando numa infelicidade a alegria calabotiana que é empatar um jogo ao minuto 93.MBP
Tabula Rasa

Projecto de remodelação da Avenida dos Aliados
O célebre projecto de remodelação da
Avenida dos Aliados tem sido comentado um pouco por toda a comunidade de
blogs relacionada com a cidade do Porto. Da mesma forma, alguma da imprensa também deu o seu destaque a esta questão. Contudo, o que notamos, é que através da leitura da imprensa, o projecto de Siza e Souto Moura é tido como consensual e aplaudido, isento de polémicas, como uma espécie de arquitectura total onde todos se irão rever, aplaudir e, no final, enternecer.
Essa ideia de grande aceitação acrítica já não corresponde, por outro lado, àquilo que se tem escrito e editado na
blogosfera, a nossa caixa de correio, por exemplo, tem recebido bastantes comentários críticos, lamentando a execução deste projecto eivado de
sizentismo e sobretudo lamentando o espírito de
tabula rasa com que se pretende acabar com a velha calçada e os seus temas.
Sem querer pôr em causa a competência dos referidos arquitectos, nomes aliás que são sobretudo motivo de orgulho e prestígio da cidade, penso que a destruição da calçada é um erro, não porque a calçada seja um expoente artístico qualquer, ou por ser uma relíquia arqueológica a preservar, mas simplesmente porque essa calçada faz parte do património e do conceito que temos da cidade, faz parte da memória visual daquele espaço, faz parte duma herança que, sejamos claros, não é nenhum fardo, nem tampouco será incompatível com um qualquer projecto de remodelação, tudo se poderia reduzir, digamos, a um pouco de boa-vontade e talvez humildade dos autores do projecto.
Ao mesmo tempo, e talvez menos comentado, há outro aspecto do projecto de remodelação que merece ser referido, a reorientação da estátua equestre de
D. Pedro IV. O novo projecto prevê uma reviravolta ao monumento de 180º, isto é, a tradicional orientação NS, direccionada para o rio, será abolida. A ideia não é nova, já havia sido proposta em 2001, contudo, por trás da intenção de mostrar a D. Pedro o edifício da Câmara Municipal, está, novamente, aquilo que considero um desrespeito pelo conceito original do monumento, conceito esse que não foi, obviamente, inocente, visto que na altura da sua inauguração, os antigos Paços do Concelho também se encontravam na mesma orientação NS.
Foi o mesmo tipo de espírito de
tabula rasa com o passado que vitimou outra estátua, a de D. João VI, da autoria de Barata Feyo, situada na Praça Gonçalves Zarco, em frente ao Castelo do Queijo. A orientação da estátua foi simbolicamente disposta em direcção ao Brasil, contudo, depois das obras de construção do parque de estacionamento subterrâneo, a estátua foi recolocada de modo, vá lá, empírico, deixando D. João VI virado mais ou menos ao sabor do vento, notável homenagem ao espírito indeciso do monarca, mas lamentável falta de consideração pelo conceito artístico do escultor.
Esperemos que todas estas e outras remodelações sejam ainda repensadas, reavaliadas, não só pelos arquitectos, mas também por outras pessoas, especialistas na história da cidade e sobretudo pelos seus moradores.
MBP
O rescaldo das últimas eleições
tem uma coisa particularmente boa: a caixa de correio do Avenida dos Aliados deixou de ser invadida pelos muitos
emails indiscriminados e ignóbeis que pretendiam, com um discurso particularmente idiota, condicionar o voto de quem quer que fosse.
Ainda bem que também dessa porcaria nos vimos livres.
MBP
As Nossas Pedras
Recebemos hoje este conjunto de fotografias tiradas pelo leitor João Medina.

Tratam-se de exemplos da calçada portuguesa que decora os passeios da nossa Avenida dos Aliados.
A temática destas obras de arte está muito relacionada com os labores da produção e transporte do vinho do Douro até ao Porto.
Contudo, o que nosso leitor nos levanta é um alerta, um pedido para ajudar a preservar este património discreto mas essencial que tantas vezes nos passa literalmente debaixo dos pés.
Uma das paragens de autocarro foi já erguida sobre um destes painéis, e, face à recente
notícia sobre as obras de remodelação da Avenida, tentaremos todos, num movimento cívico que deverá começar imediatamente, evitar que se venha a perder o que quer que seja destes magníficos e representativos exemplares do nosso património.
MBP
Última Hora

Resta-nos aguardar o desfecho dos acontecimentos.
MBP
Do Porto, pelo Porto, para o Mundo.